Compreensão (5) - Pensador

Vocês podem ajudar a mim e a minha noiva?

Olá a todos. Essa é uma conta joga fora, pois tenho medo de me expor por agora e estou aqui para pedir uma ajuda a quem puder me ajudar. Eu me chamo Marcelo (nome fictício) e moro em um bairro pobre do interior de SP. Moro aqui desde 2014, quando perdi o meu emprego no interior de MG. Vim para cá ao ficar desempregado, para ficar perto da minha namorada, a única que eu tive na vida (e dei muita sorte em encontrar ela, é uma das pessoas mais especiais que conheço). Tenho 29 anos, 1,80 de altura e peso 200+ kg.
Como você já pode imaginar, o problema com o qual eu preciso de ajuda é esse. Tenho obesidade mórbida grau III e a minha namorada também. Ela é secretária de uma médica e através do seu trabalho conseguiu um grupo de profissionais que estão nos ajudando através de um trabalho voluntário. Eu e ela temos psicóloga (uma diferente para cada), uma endocrinologista e uma nutricionista. Graças ao trabalho dessas pessoas, tivemos grande evolução através de uma reeducação alimentar que tem surtido muito efeito, apesar de infelizmente não ser o suficiente.
Bom, antes dessa pandemia eu estava com um trabalho maravilhoso para uma empresa canadense. Tinha passado no processo seletivo em janeiro desse ano e comecei a trabalhar, até que quase 3 meses depois o projeto foi encerrado devido ao cenário mundial. Durante o tempo em que trabalhei, pude investir pesado na nossa saúde, custeando sempre os exames necessários, fazendo minha reposição hormonal com testosterona (minha produção é extremamente baixa, devido à obesidade), pagando transporte de ida e volta para uma academia de hidroginástica e fazendo hidroginástica. Vejam, antes da pandemia já estávamos sendo acompanhados por essa equipe de profissionais da saúde, mas a reeducação alimentar, além de ainda ter sido por pouco tempo, ou seja, não tínhamos avançado tanto nessa questão, não estava sendo suficiente. Foi quando começamos a fazer hidroginástica que pudemos ver que era possível emagrecer, pois ambos tivemos bons resultados durante esse tempo. Foi a prova que a gente tanto precisou para enxergar que poderíamos recuperar a nossa saúde sem enfrentar uma fila gigante e um procedimento extremamente invasivo.
Aí veio a pandemia, perdi meu trabalho. Meu pai me ajudava com o que podia, minha mãe também. E então dois meses depois, perco o meu pai. Ele era advogado, mas nunca teve dinheiro. Morava de aluguel e apesar de ter muitos processos, a maioria era pro bono, pois o que ele mais gostava de fazer era ajudar o próximo. Com isso, não deixou nada para mim. O que estava difícil ficou ainda mais (mas reconheço que tem muita gente em uma situação financeira pior que eu).
Com tudo isso o nosso tratamento ficou estagnado, até que a nossa nutricionista me deu a ideia de usar meu tempo ocioso para fazer uma hortinha em casa. Então fiz isso e aí vieram mais resultados da reeducação alimentar, pois passei a comer alimentos que nunca gostei (mais uma vitória e mais uma prova de que a gente consegue chegar lá).
Como você talvez possa imaginar, nós não temos indicação médica de fazer o que é simples e acessível, que é caminhada. Na real até tentamos, apesar dos riscos, mas toda vez que a gente tentou eu me acidentei e fiquei com a perna roxa por alguns dias ou semanas. A indicação para o nosso caso é algo que possa nos trazer segurança, como a hidroginástica que estávamos fazendo. Com a pandemia, além de não sair de casa por estar no grupo de risco (minha namorada trabalha presencialmente no consultório da médica, ela está tendo o Uber de ida e volta custeado pela patroa), também não vou conseguir aderir novamente à hidro. Para uma pessoa como eu, já é difícil encontrar força para me deslocar diariamente, mas ainda vivi situações tristes e extremamente constrangedoras por lá.
Aderir à uma atividade física é difícil para mim. Mas há uma que me trás alegria e prazer em fazer e é por isso que resolvi vir aqui pedir ajuda. Antes de vir para Ribeirão Preto, somente um exercício me trazia prazer: andar de bicicleta. Eu pedalava 40 kms, andava sempre sozinho, mas a cidade que morava é pequena e não tão perigosa como aqui. Na real eu adoraria poder ter uma bike novamente e sair andando na cidade, mas andar aqui com uma bike que aguente o nosso peso é o mesmo que sair com uma placa escrito “venha nos assaltar”. Então eu venho aqui pedir uma bicicleta ergométrica que aguente o nosso peso, pois ao contrário do que acontece normalmente quando alguém compra um equipamento desse para usar em casa, onde acaba virando um móvel para roupas usadas, nós vamos conseguir usar diariamente. O meu sonho hoje é poder colocar isso na sala de onde moramos (moramos com os meus sogros, mas eles já deixaram a gente colocar uma na sala, caso possamos ter uma) e gastar umas 2 horas do meu dia pedalando. Sem a dificuldade de estar em público, sem o gasto com transporte, sem os problemas ao enfrentar uma academia, vamos conseguir resultados e vamos conseguir sair dessa.
O uso desse equipamento tem o aval das profissionais que nos ajudam e posso me comprometer a digitalizar um laudo e enviar aos que eventualmente nos ajude. Eu encontrei somente uma única bike ergométrica no Brasil que aguente o nosso peso. Tenho pesquisado há algum tempo e o custo dela é simplesmente algo que nos impossibilita de adquirir. É a Kikos KR 13.6. No entanto eu não me importo se houver de alguma outra marca, a única coisa que eu quero é poder colocar ela na sala e começar a pedalar todo dia.
O que eu proponho é o seguinte: enviar o laudo da médica com a indicação de uso da bicicleta ergométrica, enviar uma carta da equipe de profissionais que nos ajudam de forma voluntária explicando o trabalho delas, enviar os nossos dados pessoas, criar um grupo de Whatsapp com os que puderem ajudar para relatar periodicamente os resultados, fazer um vídeo comprovando o local em que moramos e a nossa condição financeira e doar o equipamento quando não precisarmos mais (ou quando pudermos adquirir um equipamento mais barato que aguente o nosso peso futuramente). Em troca o que eu peço é a ajuda financeira para a aquisição da bike (ou a doação direta de qualquer bike que nos aguente), sigilo e compreensão. Eu tenho muito medo de me expor, já estive próximo do suicídio no ano passado e o meu maior medo é ser exposto e voltar a passar o terror que passei. Essa conta é joga fora justamente por isso. Tenho medo dos usuários de outras subs que lurkam por aqui e sei que já irão usar esse post de forma negativa nessas outras subs.
Eu sei que a situação financeira está difícil para todo mundo e sei que é muito provável que não consiga ninguém que possam nos ajudar com isso. Mas a nossa situação se agrava a cada dia e eu sei que a gente consegue sair dessa com a ajuda de quem puder.
Muito obrigado.
submitted by salveaminhavida to desabafos [link] [comments]

Já que tem tanto post sobre ancapismo

Já que tem tanto post sobre ancapismo

Resolvi colocar um link aqui pra ter umas discussões mais interessantes.
https://cdn.mises.org/Man,%20Economy,%20and%20State,%20with%20Power%20and%20Market_2.pdf
Considero a "pedra angular" do libertarianismo. Chama-se Man, Economy And State, de Murray Rothbard, acompanhado de seu pequeno adjunto, Power and Market.
É um livro bem grande, mas que dá uma bela compreensão de como Rothbard pensava a economia, a política e o framework que ele chamaria posteriormente de anarcocapitalismo.
É uma fonte bem melhor que Raphael Lima, Kogos, Porto e outros "ancaps" brasileiros retardados, e que pode esclarecer as pessoas que tem curiosidade real sobre o assunto, bem como dar uma base forte para os críticos, que em sua maioria, desconhecem os autores sérios e do que consiste realmente a noção de "anarquia de mercado".
Lembrando a todos que boas leituras e boas linhas de argumentação não são baseadas em "discordâncias" ou "concordâncias" (como as crianças discutem), mas sim em termos de justificações plausíveis, possíveis, prováveis, pouco prováveis ou implausíveis; bem como em conceitos bem estruturados, razoáveis e pouco estruturados, e portanto ruins.
submitted by LordCidus to brasilivre [link] [comments]

Teoria sobre o mundo de Brawl Stars

Teoria sobre o mundo de Brawl Stars
Sem dúvidas muitas pessoas tem ficado cada vez mais intrigadas sobre o que é o Brawl Star e sobre o universo o qual o jogo existe.Sei que já existem diversas teorias e talvez essa seja mais uma, porém, independente, é mais uma ideia que pode apontar para a entender melhor o que é.
**1. O mundo de Brawl Star é um mundo compartilhado (loop)**Já há algum tempo eu tenho percebido que a ideia do mundo do Brawl Star é algo compartilhado, onde, pessoas de uma dada "realidade" (vou usar este termo por enquanto) podem acessar outras, isto através da "manipulação de tecnologia" (termo utilizado pelo apresentador).Não posso afirmar o quanto uma realidade interfere na outra porém, temos algumas evidências de que há, de fato, uma interferência direta.
Evidências:
Pessoas Iguais
Talvez você não tenha percebido, mas as pessoas da maquete são exatamente as mesmas que dançam.3 Mulheres: Uma ruiva, outra com laco pequeno na cabeça e outra de Maria Chiquinha2 Homens: Um de topete e gravata rosa, outro com cabelo para o lado e gravata azul.

Central de programação
Talvez a evidência mais nítida. A ação que ele causou na maquete, também interferiu em sua realidade.
Farei algumas analogias para tentar ilustrar a ideia.Uma realidade dentro de outra realidade, onde, a ação de uma interfere na outra, porém, os elementos são similares e talvez simultâneos.Para quem assistiu MIB (Mens in the Black), lembra do final, quando ele mostra o armário?Não estaria o apresentador tentando nos mostrar que na verdade é uma realidade compartilhada?Afinal, é ali que os "sonhos" são feitos!
2. O mundo compartilhado é de brinquedo, mas é um "mundo real"
Talvez essa declaração possa parecer ambígua, mas analisemos alguns fatos.Lembra de Toy Story?Eles sabem que são um brinquedos, e os humanos, sabem que eles tem vida?O Brawl é o mesmo sistema. Para alguém, em alguma realidade, aquilo é um brinquedo, mas para o "brinquedo" é uma realidade.Veja estas evidências:
Realidade ou maquete
No final, vemos que a realidade apresentada não passa de uma maquete. Vemos nos símbolos, nas estruturas, nos veículos, etc...Para quem é maquete? Para quem é realidade?
(Se você observar, são é mesma quantidade de pessoas e com os mesmos trajes.

Todos olhando para o mesmo lado
Saberia o apresentador de que todos ali podem/ou tem vida? Por isso ele trata de forma pessoal?É importante lembrar que esta ideia de vida não é como vemos, mas, a partir da lógica dos "brinquedos".
3. Existem diversas "realidades" de Brawl Stars que começam a interagir
Até então o que sabíamos de Brawl Stars era que era um jogo, onde pessoas do "mundo real" poderiam utilizar avatares (tecnologia virtual) para duelar e se divertir (frases até mesmo do apresentador);;;
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mas, ignoramos o fato de que, dentro da lógica do brinquedo, eles tem suas "vidas próprias".
Isso é se torna nítido na primeira animação do Brawl (No time to explain)...

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Aqui, podemos considerar duas possíveis hipóteses: a) é um usuário que está entrando no jogo com o avatar do Colt ("criança controlando por retângulos") ou quando o Colt foi concebido (apareceu pela primeira vez no próprio universo brawl - ou pelo menos nesta realidade).
3.1. Existem outras mídias que interagem
Aqui talvez seja a parte mais tranquila de compreender.A concepção do Brawl Star sem dúvidas está no Starr Park, e logo veremos isso, porém, nota-se que existem outras mídias e fontes que interagem com o conceito, seja ela desenho ou animatrônicos.Em origem, teria sido descoberta a possibilidade de interação com outras realidades e que objetos até então inanimados ou robôs (tecnologias da época) poderiam ter vida própria.Podemos ver isto no vídeo promocional.

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Veja, que as animações e robôs estão ganhando vida.
E, talvez, este seja o ponto crucial.Que realidade é esta em que as coisas ganham vida?Estaria, por algum momento, o apresentador, tentando nos mostrar que esta realidade também não é verdadeira? (Algo como a Matrix dentro da Matrix).
Afinal, como seria possível, se ele fosse humano, perder a mão e simplesmente colocar uma prótese?Mas então, afinal, qual a finalidade disto?
Acredito que o apresentador não esteja apenas chamando "novos investidores", mas tentando alertar aos próprias pessoas que ali não seja uma realidade concreta. E como ele faz isso? Mostrando os "erros da matrix".
Afinal, é possível que um brinquedo não saiba que é um brinquedo e viva em um crença condicionada ou determinada (lembra o Buzz?)
Isso começa a se mostrar nesta temporada, onde, o Colt, pelo jeito, vê uma animação dele mesmo (porém de outra mídia ou era - podemos falar de aspectos temporais depois).

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Ele se assusta ao ver a si próprio, sua representação. Porém, porque se espantaria? Afinal, ele é um "ator" famoso, ícone de diversos elementos (cereal), entre outros? Mas e se o Colt que ele vê for de 60 anos atrás? Não estaria ele confuso em perceber que o mundo que ele acreditava ser único, talvez já existisse, mas de outro modo? E se ele começa a perceber?
4. Importância do 8-Bit
Muito provável o 8-Bit seja o responsável em nos apresentar tudo isso.Acredito que ele tenha sido o programa que, dentro da realidade do jogo/brinquedo, pode acessar as outras mídias e interagir com elas (jogo secreto do 8-Bit).
Neste, ele navegou no passado e criação da tecnologia que se correlacionaria com o futuro.
4.1 Project Laser

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Primeiro protótipo do jogo. Porém, o programa, assim como as outras coisas, ganharam vida. Não é a toa, que o primeiro estágio é a compreensão do 8-Bit como um HardWare, mas, assim como todas as coisas do Starr Park, ele ganhou vida (o fliperama), e se reconheceu em um parque (ou em uma maquete?) no Japão.
Se observar, o fundo são as cores do Starr Park!
Mas então, se dá a explosão.Mas o que explodiu? O que aconteceu?
**5. Surgimento do sonho e do Loop.**Na descoberta sobre que ele mesmo é, o 8-Bit descobre qual é o "mundo dos sonhos" que o apresentador diz.Eles garimpavam alguma substância de permitia as pessoas sonharem (Inception - A Origem) e entrar em um mundo onde não havia nenhum problema (assim como o narrador diz). Isto era causado pelo "pó" que conhecemos, aquele que o Sandy lança.
Temos evidências no jogo do 8-Bit

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E na apresentação Japonesa...

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Porém, algo saiu errado e temos o acidente. O que causou o acidente? O próprio 8-Bit (do futuro)?Enfim, algumas coisas ainda estão abertas.
Qual a principal questão?
Acredito que seja o questionamento da realidade.Essa questão que permeia o mundo do Brawl Stars, procura trazer essa mesma discussão para nós.
Veja que esta questão aparece na animação do Colt: Como somos quando jogamos ou quem somos no jogo? Qual o nosso perfil? O Colt se viu como vaidoso e individualista.
Neste sentido, é possível ver que esta questão é trazido para a nossa realidade.Estaríamos nós em uma vida de sonhos, um mundo onde acreditamos ser verdadeiro, mas na verdade estamos sendo controlados? (Black Mirror: Bandersnatch ou Tsukuyomi Infinito).
Veja que isto aparece através da interação de outra realidade com a nossa, onde até mesmo falas são diferentes daquelas aparentemente feitas.

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Esta interceptação, vem de fato trazer esta questão para o nosso mundo, nossa realidade, questionando se o parque existe ou não, se é real ou não?
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Curiosidade:
A realidade se deu para o Colt através das "tvs".Perceba que as televisões estão todas quebradas ou "bugadas", tanto no jogo, quanto nas imagens ( o que passou nelas?)

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Por onde questionamos nossas realidades?
Mas sabemos que independente, quanto mais perguntamos sempre vamos voltar nas mesmas questões, pois, o mundo de Brawl Stars está em um Loop Infinito entre realidades e sonhos.
Onde, as novas tecnologias irão interagir com as já criadas. Elas poderão caminhar neste espaço/tempo através de registros existentes, porém, a questão é quanto elas (nós) sabem(os) que são tecnologia e que o mundo em que vivem não são "reais". Quando eles (nós) acordarão(emos) deste sono infinito?

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Considerações
O mundo de Brawl Star tem duas linhas para serem acompanhadas. Uma dela é a linha horizontal, onde existem realidades/mídias paralelas que interagem entre si.
A outra é a vertical (temporal), onde existem realidades em outras eras (anos) que também interagem.

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Hoje, no BrawlTalk, tivemos duas interferências, a horizontal (outros apresentadores, falando sobre o Brawl Star ou o Starr Park?) e a vertical (o vídeo japonês).
submitted by LipeMoraes to Brawlstars [link] [comments]

Falsos positivos: Um perigo para a política portuguesa

Ter um conhecimento de estatística é decisivo na compreensão do mundo. Permite-nos inferir a probabilidade de um evento, ter confiança em fazer certas afirmações e comprovar, ou desmentir, concepções sobre a realidade em que vivemos.
Ao longo deste texto irei ilustrar os conceitos de falso positivo e falso negativo e a sua relação com a política nacional. Principalmente o efeito de apelidar alguém de fascista, racista, comuna, etc. e cometer um falso positivo (quando não o são) ou não apelidar e cometer um falso negativo (quando o são).
Previsão binária: Falso positivo e falso negativo
Se ao prever uma variável contínua (como a % de votos de um partido) é possível apresentar um intervalo de valores, ao prever uma variável discreta apenas podemos dar um valor. Imaginemos que queremos inferir se alguém é proprietário de automóvel, podemos perguntar-lhe o seu rendimento, trabalho, entre outros factores, mas no final teremos sempre de dizer sim ou não.
Isto significa que caso o modelo não seja perfeito (que não é) iremos fazer erros. No exemplo do automóvel seria dizer que alguém o tem, quando não o tem (um falso positivo) ou dizer que não o tem, quando o tem (um falso negativo).
A proporção de falsos negativos e positivos é algo que o modelador pode controlar dependendo dos seus objectivos.
Imaginemos uma operadora telefónica que pretende dar uma promoção a clientes que estivessem em risco de mudar para outra, com base no consumo do último mês de cada cliente. Se a empresa todos os meses perdesse 10% de clientes e desse a promoção a todos teria 90% de falsos positivos mas também conseguiu atingir todos os 10% de clientes. Se fosse mais restrita e só desse aos clientes cujo consumo caiu para menos de metade, se calhar apenas teria 30% falsos positivos mas também só atingiria 5% dos 10% que está em risco.
A escolha da empresa vai depender dos custos e benefícios da promoção. Se recuperar um cliente em risco tiver um alto valor e o desconto for baixo a empresa não se importará de errar mais vezes (ter mais falsos positivos) para conseguir ter o maior número de verdadeiros positivos.
A evolução da aceitação do falso positivo na política portuguesa
Quando alguém apelida outrem de fascista (ou outro chavão semelhante) fá-lo por dois motivos: 1) para silenciar a voz do outro, independentemente dele ser ou não; ou 2) uma ou mais características da outra pessoa levantou a suspeita que seja verdadeiramente fascista.
O grupo de pessoas que o faz pelo primeiro motivo é, regra geral, bem diferente do grupo que o faz pelo segundo. Grupo A - Quem usa um chavão para silenciar é usualmente um extremista ideológico cujo objectivo não é o diálogo e a busca da verdade, mas apenas avançar a sua ideologia. Este grupo é pequeno na sociedade mas muito vocal, aparentando ter mais peso do que tem. Grupo B - Por outro lado, quem apelida outrem de um chavão pelo segundo motivo não o faz com o intuito de atacar ou silenciar a outra pessoa para promover as suas ideias. Simplesmente achou que dada a informação presente é razoável fazer essa inferência. Este grupo corresponde à maioria da população.
Estes dois grupos, apesar de diferentes, influenciam a forma como o outro actua e a sua credibilidade. Se o grupo B achar que o custo de identificar erroneamente alguém como racista, fascista, ou outro termo for demasiado elevado, vai reduzir o uso dos chavões para indivíduos ou organizações que não quase não deixem dúvidas que são um desses termos.
Esta aversão ao falsos positivos é contraproducente para o grupo A. Quanto menos o grupo B usar os termos menos credibilidade têm as tentativas do grupo A de silenciar o discurso dos seus oponentes ao apelidá-los de fascista, racista, etc. (Se forem sempre os mesmos a gritar "Lobo!" a torto e a direito o resto da sociedade deixa de acreditar neles)
Isto significa que é do total interesse do grupo A manipular a percepção do grupo B dos potenciais custos/benefícios de usar o termo e também da probabilidade de erro.
Em Portugal as atitudes do Bloco de Esquerda e das pessoas simpatizantes com a sua ideologia estão totalmente alinhadas com o grupo A do texto que expus. Usam estes termos com uma frequência anormal, quer no parlamento como fora dele: em discursos, campanhas, manifestaçõe. Na grande maioria com uma clara vontade de silenciar o discurso dos seus oponentes políticos
Simultaneamente, ao longo das últimas décadas têm feito iniciativa atrás de iniciativa com o objectivo de normalizar na sociedade portuguesa o uso destes termos:
Este esforço de mudar a percepção da sociedade não foi combatido devidamente. Entre outros factores, o estigma do Estado Novo era alto quando este processo se iniciou fazendo com que o termo fascista tivesse uma carga emocional mais alta que noutros países (e mesmo hoje continua alta).
Dito isto, identificar os tais racistas e fascistas (evitar falsos negativos) é importantíssimo. A evidência histórica aponta que quando estes são deixados livres para se organizarem e promoverem as suas ideias as consequências sociais são devastadoras.
Impacto dos falsos positivos na política portuguesa
A situação actual é perigosíssima para a nossa democracia. A esquerda portuguesa conseguiu, em conivência com os sectores moderados da sociedade positiva, transformar acusações sérias numa forma fácil e eficaz de desligar o debate político. Entre os potenciais perigos vejo os seguintes como mais relevância:
A European Commission report in December noted that between 2015-2016, Portugal had a higher proportion of labor trafficking victims per one million of the population than any other European state barring Malta. In fact, the Commission found that an estimated 65 percent of human trafficking victims in Portugal fall victim to labor exploitation. https://www.infomigrants.net/en/post/15188/human-trafficking-on-the-rise-in-portugal
Existirão mais pontos negativos mas estes são dos mais preponderantes. Caso alguém tenho outros em mente, convido-o a partilhá-los nos comentários
Conclusão
Creio que à luz da situação actual devemos ter uma atitude não complacente com o perpetuar dos falsos positivos ao nível que temos visto. Se nós, o grupo B, se demarcar deste novo normal talvez ainda seja possível e os perigos que elenquei talvez possam ser evitados ou minimizados
O truque é encontrar o equilíbrio nos custos e benefícios. Ou seja: garantir que minimizamos o número de racistas e fascistas que passam desapercebidos, mas ao mesmo tempo evitar que isso exija um custo social excessivamente alto. Sacrificar 1 "homem bom" para identificar mais 1 fascista tem um custo benefício diferente que sacrificar 100 "homens bons" para identificar mais 1 fascista. Por outras palavras penso que temos de encontrar um ponto onde a sociedade conseguiu identificar a grande maioria dos extremistas mas não pôr em causa a democracia e a unidade nacional para conseguir reduzir em meia dúzia os falso negativos.
Pedia, como sempre faço, que quem comente o faça de forma educada, sem insultar outros utilizadores e com respeito para os demais.
submitted by aquele_inconveniente to portugal [link] [comments]

A motivação de Aegon, o Conquistador

Texto original: https://towerofthehand.com/blog/2020/06/18-aegons-motivation/index.html
Autor: Wadege, Michael ou Mordion (Colunista do site Tower of the Hand e apresentador ocasional do Podcast of Ice and Fire e Vassals of Kingsgrave)
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Por que Aegon conquistou Westeros? É uma pergunta que tem intrigado estudiosos westerosi e leitores atentos há anos.
Foi por orgulho e glória? Então, por que ele não voltou seus olhos para o leste, em vez do oeste, para o grande prêmio que eram Essos e suas Cidades Livres, algumas das quais pediram ativamente a ajuda dos Targaryen? Ainda que não negligenciasse seu reino westerosi, Aegon nunca pareceu realmente gostar de governar e ser rei da mesma maneira que alguns de seus sucessores, o que dissuade a ideia de que a vaidade de usar uma coroa fosse sua inspiração derradeira.
Foi para expandir a conquista valiriana; cumprir planos inacabados da Cidade Franca? O estilo de conquista de Aegon sugere o contrário. Com um foco perspicaz na assimilação, Aegon se converteu à Fé dos Sete, adotou uma heráldica westerosi para a Casa Targaryen, descartou casamentos incestuosos e poligamia (para as gerações futuras, ao menos), respeitou as leis e os costumes locais e não fez nenhum esforço para suplantar a língua comum com um dialeto valiriano, garantindo que quase nada da cultura valiriana fosse importado para Westeros.
Foi em resposta a um insulto? Especificamente, as mãos decepadas de seu enviado do rei da tempestade? Então por que conquistar todos os Westeros e não apenas as Terras da Tempestade? Para um Targaryen aparentemente inteligente e comedido, esse alargamento de missão parece especialmente incomum.
Aegon é mencionado como um enigma várias vezes, tanto aos olhos de quem o conhecia quantos dos escribas da história, quase como se provocasse e instigasse os leitores a descobrir sua derradeira força motriz. O incentivo negligenciado que consideraremos hoje seria uma profecia.
O dragão de três cabeças tem sido lembrado como o símbolo da Casa Targaryen, mas talvez não por tanto tempo quanto alguns imaginariam. Estandartes eram um costume Westerosi, não eram usado pelas famílias de Valíria. A adoção do uso de estandartes e brasões era uma das estratégias de Aegon para atrair os senhores de Westeros, por isso é seguro assumir que esse brasão não existia na Casa Targaryen antes dessa época. Contemporâneos dos livros principais, como Jorah Mormont, interpretam que o brasão representa Aegon, o Conquistador, e suas irmãs, Rhaenys e Visenya, mas um significado mais profundo existia antes disso.
O dragão de três cabeças é obviamente um tema profético em uma certa profecia que também é homônima da série, 'A Canção de Gelo e Fogo'. Ouvimos pela primeira vez o dragão de três cabeças ser mencionado por Rhaegar na Casa dos Imortais, e depois por Meistre Aemon em seu leito de morte. Os leitores foram apresentados a muitas profecias semelhantes no texto até agora; a Batalha pela Alvorada e seu Príncipe que foi Prometido, Azor Ahai, o Guerreiro da Luz Contra a Escuridão. Em o Mundo de Gelo e Fogo, o leitor é apresentado a ainda mais profecias e fábulas sobre "salvadores contra o apocalipse", a maioria das quais parece ser uma reinterpretação do mesmo tema, adequada para as mais diferentes culturas.
Targaryens, é claro, são familiarizados com profecias e muitos membros tiveram sonhos ou visões proféticos. De particular interesse são os Targaryens acadêmicos, que se interessaram por essas visões ao longo de seus reinados. Rhaegar é o exemplo mais recente, mas seu avô Jaehaerys II também estava ciente do Príncipe que foi Prometido, tanto que ele casou com seus filhos com base na previsões de uma bruxa da floresta. O tio de Jaehaerys, Grande Meistre Aemon, também teve consciência e correspondeu-se com Rhaegar sobre esse assunto ao longo de sua vida. O próprio tio de Aemon, o rei Aerys I, era notório por sua obsessão por profecias e pelos mistérios mais elevados (e pela falta de interesse em governar). Mesmo antes da conquista, os Targaryen foram afetados por profecias. Aenar, o Exilado, deixou Valyria seguindo o conselho de sua filha Daenys, a Sonhadora,
Visões proféticas não se limitavam a Targaryens, ao que parece. Em O Mundo de Gelo e Fogo, Septão Barth escreveu que os sacerdotes valirianos haviam profetizado a destruição do homem, que sairia da terra além do mar estreito. Na mesma frase, Barth argumenta que essa foi a verdadeira razão pela qual os valirianos chegaram a Westeros. Enquanto o rei Baelor, o Abençoado, via as obras de Barth como antinaturais e as queimava, os leitores perspicazes sabem prestar atenção a qualquer momento em que se menciona Septão Barth e suas especulações geralmente corretas. A partir daqui, podemos nos concentrar na verdadeira motivação de Aegon, que ele conquistou Westeros para unificar o reino contra a Perdição do Homem que se aproxima.
Aegon via a si mesmo e suas irmãs como a manifestação da 'Canção de Gelo e Fogo'? Sabemos que outros Targaryen, como Rhaegar, acreditavam ser a culminância dos eventos. Como Rhaegar, Aegon pode ter mudado de idéia à medida que envelhecia, decidindo que as três cabeças do dragão não eram a atual geração Targaryen, mas que a realização viria com seus descendentes.
Obviamente, essa conjectura suscita uma série de novas questões. Se a conquista de Aegon foi um passo proativo para deter a Perdição do Homem, por que outros passos que parecem naturais não vieram a seguir? Por que Aegon não estabeleceu sua capital junto à Muralha, por exemplo, ou pelo menos financiou extensivamente a Patrulha da Noite? Por que não espalhar a notícia de uma invasão iminente, mesmo que apenas entre os membros de sua família, que (com exceção dos acadêmicos de cada geração) continuaram ignorantes desse objetivo maior?
A única explicação plausível que pode ser oferecida é que a profecia existia de uma forma incrivelmente vaga e inespecífica, sem mencionar nada que pudesse ser facilmente vinculado aos Outros, Aranhas de Gelo ou à Longa Noite. Aegon, ao que parece, queria que um reino unido estivesse preparado para a Perdição do Homem, qualquer que fosse a forma em que ela ocorresse.
Além de servir para dar alguma substância à personalidade de Aegon, sua motivação profética faz com que os eventos modernos da história principal ganhem relevância histórica. As próximas batalhas de Daenerys (e outros Targaryens menos perceptíveis) contra os Outros assumem a forma de uma batalha de 300 anos (ou mais). George R. R. Martin disse muitas vezes que A Guerra dos Tronos pode ser o ponto de entrada do leitor na série, mas não representa o início da narrativa, cujos eventos de centenas ou mesmo milhares de anos no passado têm impacto na história.
Além disso, vemos persistir o tema da profecia, que serve como uma amante volúvel para aqueles que tentam se beneficiar de sua compreensão. Muitos personagens, do passado e da história principal, procuraram utilizar o conhecimento profético em proveito próprio, apenas para ver interpretações errôneas terem consequências irônicas e imprevistas. Os esforços de Aegon não são diferentes; ao unificar o reino, ele poderia ter pretendido combater a Perdição do Homem, mas mal sabia ele que seus esforços indiretamente levariam Westeros a se tornar o mais fraturado e dividido dos reinos no momento em que a Longa Noite viria de verdade. Alguns chegaram a arguir que a relativa paz do governo Targaryen reduziu o número de prisioneiros de guerra da Patrulha da Noite e acelerou seu já notável declínio.
Por fim, a lente a partir da qual vemos e julgamos a Conquista pode ser alterada. O mundo que George criou está cheio de conquistas, como a Viagem de Nymeria, a Invasão Ândala e a Chegada dos Primeiros Homens. Um ponto em comum para todas as conquistas, tanto no mundo real quanto nas fantásticas, é que todas elas causaram morte e destruição incalculáveis ​​e, por fim, não tinham injustificativa. William, o Conquistador, por exemplo, que é a principal inspiração real para Aegon, conquistou a Inglaterra com base em uma distante pretensão de sangue ao trono inglês, além do direito divino propagado pelas bênçãos do Papa. Por fim, sua conquista destruiu a Inglaterra, matou mais de 100.000 pessoas por uma terra que, no final, ele não tinha direito. Da mesma forma, Alexandre, o Grande, não tinha direito à Pérsia, os romanos não tinham direito ao mar Mediterrâneo e Genghis Khan não tinha direito a todo o mundo conhecido. Com a interseção das profecias, porém, uma nova luz é lançada sobre os esforços de Aegon; mudando a moralidade de um preto nítido para algo mais claro, um cinza escuro pelo menos. A paz e a estabilidade que resultam de uma conquista bem-sucedida – normalmente um efeito colateral agradável ao novo governante, mas não intencional – tornam-se o objetivo direto de Aegon I.
Com o lançamento de Fogo & Sangue, George parece atrair os leitores a comparar os vários reis da dinastia Targaryen. E, enquanto nos sentamos na longa noite de nossa leitura, esperando a notícia de que George finalmente lançará Os Ventos do Inverno e sem mais nada a fazer além de comparar os monarcas Targaryen entre si, tente pensar que a conquista de Aegon não foi motivada por motivos menores de orgulho, nacionalismo ou arrogância, mas sim que provinha, pelo menos em parte, de um desejo de salvar os reinos do homem da destruição total. É justificado conquistar um reino para salvar a totalidade dos homens? Ao menos Melisandre aprovaria.
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Mãe, Bolo e Abraços

Apesar do título, não é uma situação feliz. Pelo o contrário. Lá vai a seguinte situação:
Lá estava eu fazendo um bolo. Tentando. Depois de sair da cama, por estar depressivo. Não foi fácil. Sem contar que fui ao hospital no dia anterior por um motivo bem constrangedor o qual não direi por me sentir melhor assim (espero que entendam!) Aí, eu toquei em um assunto extremamento delicado e doloroso para mim. Contato humano.
Não consigo abraçar as pessoas como uma pessoa normal. É muito constrangedor. E o pior é uma colega de curso te abraçar depois de abraçar outro colega e dizer "você não gosta de mim" por conta do meu próprio abraço. Que dor. Eu sei que sou "duro" ou "rígido" na hora de abraçar. Mas gosto e preciso, agora como nunca antes, de contato humano. Especialmente, o sincero. Aquele afetuoso e maravilhoso. Absolutamente espontâneo tanto da parte do outro, quanto especialmente da minha. Mas parece cada vez mais impossível.
Desabafei com minha mãe. Ela é uma pessoa de grande coração, mas muito ignorante em muitos aspectos na prática. Na teoria, ela passa a mensagem de "pode me contar tudo e se sentir bem com isso." Mas... Na prática, na hora H... Só decepção. Sim eu fui rude com ela e disse até que preferia desabafar com outra parente. Mas tem todo um contexto e é de se esperar meus descontrole. Tô todo fudido psicologicamente. Não consigo confiar em ninguém. Mas sei que estou errado no final das contas, independente disso. Só desejo real e de boa vontade, compreensão.
O que pensam a respeito? E muito obrigado por me ouvirem! No caso, lerem!
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Eu vou explodir

Mano, tu fica um tempo do caralho em casa se fudendo psicologicamente, tu fica com saudade da tua vida normal, dos teus amigos, de tudo que tu tinha antes. AI VEM UMA PESSOA E MANDA, AIN PQ ASSINTOMÁTICO NÃO TRANSMITE OMS FALOU, TU NÃO ACREDITAVA NELA. M E U D E U S eu tenho vontade de me tacar de um prédio quando leio isso. Uma amostra de 63 pessoas vira dogma, ainda assim, mesmo que seja baixa e seja os 14% ESSA MERDA É RELEVANTE AINDA. Sem contar o assintomatico que vai pra pré-sintomatico e transmite mais ainda. Aí tu vai lá, tenta explicar pra pessoa, usa lógica, vai na boa e ela só UGA BUGA QUEREM DERRUBAR O PRESIDENTE SEU ESQUERDA. Mano, só não, não e não. Discordou de você, não necessariamente é esquerda, para de polarizar, para de ficar achando que agora a gente tem verdades imutáveis sobre o vírus, essa porra é real e já matou muita gente. Tenha o mínimo de empatia, não veja partido, não veja política, veja vida, tenha amor pelo próximo, você nunca sabe do dia de amanhã. Nunca vai ser tarde pra tu admitir erros, equívocos e qualquer outra merda. Por enquanto, respeite a quarentena, é, até agora, o jeito mais seguro se mais pra frente descobrirem que não, tudo bem. Eu sei que muitos perderam empregos e muitas coisas nesse período, mas tu tacar geral pra vida normal vai ser mais prejudicial ainda. Agradeço a compreensão, e desculpa o rage.
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Pornografia

Teoria vinda das vozes da minha cabeça : Pornografia. Querendo ou não todos nós já vimos pornô em determinados momentos de nossas vidas, propositalmente ou não, com menos frequência ou frequentemente (André), mas no final das contas a indústria pornô está presente em nossas vidas e na vida da maioria dos seres humanos, mas não como algo pequeno com efeitos mínimos, mas sim algo de proporções colossais que interferem diretamente e indiretamente na vida de todos, e no meu ponto de vista, está e sempre causou mais danos diretos e indiretos para todos nós. Vamos começar pelo início, não sou contra a indústria pornô e muito menos quero forçar com que isso termine, pois sou liberal e não me interesso em controlar a vida de outros e muito menos quero ser controlado por terceiros, por isso se quer dar a bundinha, dá para quem quiser, filmando ou não, não estou nem aí, mas como sou um ser humano falho e me importo com as pessoas, principalmente um pouco mais com as mulheres do que com os homens (- sou mais feminista do que as próprias feministas...), sendo assim, vamos analisar um pouco os efeitos negativos que a indústria pornô causa contra as mulheres em sí (-antes de continuar, quero deixar claro que qualquer mulher que apoia a indústria pornô está se diminuindo e objetificando perante aos meus olhos...), a própria essência do pornô é machista, ou seja : uma mulher que está vendendo o seu corpo (-objeto de compra/posse ) e o homem que está a comprar esse objeto (- ter posse sobre ela ), logo já podemos perceber a superioridade que é implementada intrinsecamente para o ser masculinos e a objetificação que é colocada na mulher. E não vamos ser falsos moralistas e hipócritas, a quantidade que homens consomem pornô é enormemente superior e sem comparação para com as mulheres e até mesmo na maior parte dos vídeos que as mulheres estão " dominando " os homens, é apenas um fetiche que o próprio homem possui e o seu objeto (- a mulher ) está apenas a cumprir com as suas ordens, logo é apenas um fetiche de feminização que é usada de maneira (-pejorativa) contra a própria mulher no pornô, porque o homem está sendo tratado e representado com uma mulher (-objeto). Bom, já dito isso, claro que podem pensar que vídeo pornô é apenas um vídeo de entretenimento para públicos alvos (- específicos ) e que não refletem na vida real, perdão, mas quem pensa assim está longe de estar certo, vamos novamente desde o início, já sabendo que o pornô objetifica a mulher sexualmente perante a compreensão e visão masculina, isso causa efeitos diretos no nosso comportamento humano/animal (- sim somos animais ), mas esses comportamentos eram claramente visíveis e desmoderados na década de 80/90 onde na maior parte dos países o teatro/cinema sexual era algo completamente " normal " para os padrões daquela sociedade, se via nas entradas e nos posters desses teatros/cinemas sexuais fotos de mulheres consideradas atraentes para a maior parte dos homens, ou seja, uma sistematização de padrão (- uma preferência específica de corpo ideal ), vale ressaltar que no marketing era uma mulher (- ou varias mulheres ) a tal mulher ideal que era apresentada e não um cara que era considerado gostoso e com um enorme pênis, outro ponto importante é que o pornô em sí, desde antigamente nunca foi sobre fazer a mulher gozar ou sentir prazer (- apenas em certos casos, mas já chego lá ), mas sim para fazer o homem gozar e sentir prazer, ou seja, o pornô tinha/tem como intenção agradar o seu público alvo, logo a maior parte das posições e intensidades era apenas para dar prazer e satisfações para os homens também quererem fazer isso com principalmente prostitutas, porque como já mencionado varias vezes, elas são o objeto que irá lhe fazer tudo o que desejas, apenas por dinheiro em troca (- que leva também a outro ponto que envolve o dinheiro, pois logo que o dinheiro comprava até " não prostitutas ", isso criou apenas uma guerra para ter mais e mais dinheiro para poder se aproveitar mais e mais dessa necessidade.., maass isso já seria mais um tema que provavelmente ninguém iria ligar, pois provavelmente ninguém vai ler isso a sério até o fim...) e as boas feministas estavam lá, porque elas sabiam os efeitos que isso causava e que seria prejudicial para as mulheres, um tempo onde as feministas sabiam o que era moral e quais problemas a indústria pornô causava contra a moralidade feminina, aliás elas lutavam até contra a própria relativização que hoje apoiam, pois as mesmas sabiam que se as mulheres fossem relativizadas aos olhos de uma sociedade machista/patriarcal, elas nunca receberiam respeito adequada por serem seres humanos, mas sim o contrário, seriam vistas apenas como objetos sexuais de compra, bons tempos em que as feministas não se importavam em sair com os peitos a mostra por " igualdade ", porque as mesmas saberiam os efeitos contrários que isso traria...., mas também é outro assunto, mas isso só demonstra como vivemos em uma sociedade doente que coloca os seus desejos carnais acima de qualquer coisa. Bom, desejos carnais, vamos falar dos homens agora, conseguimos tantas conquistas (- homens/mulheres ), mas se somos realmente animais racionais e se sentimentos são reais, por que caralhos os homens colocam e arriscam tudo que possuem apenas para sentir uma sensação boa em seus orgãos sexuais, mas vamos com calma, primeiramente aos pobres, sim, esses mesmos que trabalham em part time ou full time que pagam uma miséria por exaustivas horas de trabalho, por que gastam o seu merecido e honroso dinheiro com pessoas que simplesmente não contribuem para nada além de um vício continuo de masturbação em massa que mais afetas homens do que mulheres (- nem vou entrar no ponto do aproveitamento das mulheres perante isso, nem vale a pena ), assim horas e horas perdidas, apenas para pagar pack de nudes de randons " fofinhas " da internet para se satisfazer com isso (- só troxa mesmo e o pior que isso existe em uma abundância enorme...) ou para poucos momentos de sexo com prostitutas, pois provavelmente são precoces e possuem uma pequena pilinha e já que não querem ser julgados por suas inseguranças sexuais, que nessa sociedade que preza mais no tamanho de pila e tempo de sexo do que valores éticos e morais, pelo simples fato de sentimentos carnais ou em palavras simples, ser humano sendo animal. Também temos homens casado/namorados que colocam seu relacionamento, fortunas, filhos em risco, apenas para ter um ápice de prazer por uns 6 - 12 segundos, puta merda que raiva, btw mulher também fazem isso MAS EM QUANTIDADES INSIGINIFICATIVAS (- nem vou colocar o fato de certo tipo de mulheres que nem valem a pena serem mencionadas, estou falando de pessoas simplesmente normais ), tanto conhecimento, tanto trabalho, tanta dedicação, tanto esforço, tanto sofrimento e tanto de tudo apenas para ficar se masturbando/comendo mulheres e outros, apostando tudo em apenas um prazer que sente na porra do pau, que raiva dessa merda, um dos pilares principais dessa merda de de sociedade é sexo (- e dinheiro/status ), como que as pessoas simplesmente ignoram tudo que já conquistamos para apenas pensar em objetos e prazeres carnais. Aliás digo mais, nas escolas para vocês, porque é o local mais próximo que pode se presenciar isso praticamente todos os dias, desde o quinto ano e até mais para baixo até o décimo segundo e em diante, os meninos são mastubadores compulsivos, " bla bla menina tbm faz ", sim, claro, (- ainda mais por causa da sexualização infantíl e bla bla ), mas sobre as meninas, nem chega próximo se quer a quantidade de braços direitos musculosos (André ) que estão presentes nas salas de aula, pode ter certeza que até se a menina mais " feia " (- considerado pela sociedade ) fosse oferecer foda, a maioria iria simplesmente falar que sim sem pensar se quer em qualquer merda, apenas para enfiar o seu pinto em uma vagina repetidamente sem para e para chegar ao seu ápice por alguns segundos, a maior parte dos relacionamentos nas escolas é currículo de foda, os meninos se vangloriam-se pela quantidades de beijos e fodas e quanto mais popular e " bonita " menina (-gaja k ) é, mais glória eles acumulam e tudo isso é simplesmente pelo fato da sexualização precosse que a indústria pornô causa em todos.
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Guerras de narrativas deformam a percepção comum e criam novas realidades paralelas(texto longo)

Por Licio Caetano do Rego Monteiro*
A catástrofe da pandemia do COVID-19 no Brasil parece se anunciar no horizonte próximo. Aprendendo com o que ocorreu em outros países e seguindo as orientações da Organização Mundial de Saúde, desde meados de março diversos estados e cidades no Brasil estabeleceram uma quarentena, que implica a suspensão das atividades não-essenciais e a redução da circulação de pessoas.
O objetivo é o já conhecido “achatamento da curva”: frear a velocidade da transmissão do vírus num contexto de livre circulação de pessoas e possibilitar que o sistema de saúde ganhe tempo para ampliar a capacidade de atendimento e hospitalização dos pacientes, evitando o colapso do sistema com a falta de leitos, de médicos e de equipamentos médicos.
Apesar de a quarentena ser defendida pela grande maioria dos especialistas e ter demonstrado seus efeitos consistentes nos diversos países que a adotaram de forma preventiva, não se conseguiu consolidá-la como um consenso social e político no Brasil.
Desde os primeiros casos surgidos no Brasil, quando o quadro na Europa começava a se agravar, o governo de Bolsonaro alterna entre minimizar os efeitos do COVID-19, acusar os chineses pela sua disseminação e, desde 20 de março, anunciar a solução para o fim de todos os males, com o remédio chamado cloroquina.
A atitude de Bolsonaro frente à epidemia sintetizou um modo próprio de se relacionar com o COVID-19 que já se anunciava de forma difusa na sociedade, com a intenção explícita de se contrapor à estratégia da quarentena e do isolamento físico da população.
Ao inaugurar uma polarização e dar legitimidade política a um dos polos, Bolsonaro produz um efeito social imediato, que se verifica no afrouxamento sucessivo do confinamento e no incentivo para que as pessoas saiam às ruas.
Mas também projeta um efeito futuro, que tem a ver com a narrativa sobre a própria epidemia.
Mesmo que a quarentena seja a estratégia mais confiável e aceita pela população, o importante na posição de Bolsonaro é promover uma cisão na maneira como a sociedade percebe a epidemia, extraindo desta polarização um efeito de longo prazo, que interdita uma percepção comum e compartilhada pelo conjunto da população.
É a plantação de uma dúvida e de uma narrativa concorrente capaz de ressignificar os fatos e neutralizar as consequências políticas que poderiam advir de uma análise sobre os problemas estruturais revelados diante da epidemia e suas causas.
Ao transformar as evidências científicas numa questão de opinião e decisão política, as recomendações de quarentena se tornam ela própria uma posição numa guerra de narrativas em que o polo oposto à quarentena é ocupado aqui pelo que vamos generalizar aqui como “cloroquina”.
“Quarentena” e “cloroquina” se tornam polos que delimitam atitudes opostas diante da epidemia.
Inaugura-se uma cismogênese que replica ou captura campos de identidade política e de comportamento social que já vem dividindo a sociedade brasileira há alguns anos.
Não bastasse encarar a maior epidemia do último século, o Brasil deve enfrentar a epidemia fragmentado em dois campos de percepção, opostos, que resultam em atitudes distintas que, além de ter um impacto direto no sucesso das estratégias adotadas no período de pico da epidemia, também afetam a interpretação futura da catástrofe epidêmica e suas consequências políticas.
E isso justamente diante de um problema que necessitaria de um esforço coletivo e multidimensional, em diversas frentes, convergindo para um objetivo comum.
Cisão cognitiva, realidades irreconhecíveis
Por que é possível que se produza uma cisão cognitiva e política na percepção da epidemia no contexto brasileiro? Alguns motivos se apresentam.
O primeiro é que não há nem haverá uma compreensão consensual que diferencie o que é (e terá sido) uma fatalidade inevitável e o que é (e terá sido) o resultado de opções políticas e técnicas.
A tendência é a de que haja uma grande subnotificação dos casos de infectados e de mortos, uma vez que muitas pessoas podem acabar sendo enterradas sem mesmo um teste que confirme a causa de sua morte.
Um estudo comparativo entre a média de mortes em cidades da Lombardia no meses de março de 2019 e 2020 indicou que a diferença era muito acentuada, sugerindo que a estimativa de mortos pelo COVID-19 estava subnotificada quando se considerava apenas os casos confirmados.
Numa situação de ausência de testes em massa, será possível esconder a causa das mortes deixando que os “cloroquinas” possam colocar em dúvida os números oficiais e estimados. A ausência de números confiáveis dificulta a própria visibilidade do fenômeno.
O segundo motivo é que mesmo que se chegue a um consenso sobre uma estimativa provável de número de mortos e de infectados, tanto a divulgação científica quanto os meios de comunicação, que poderiam vocalizar uma visão consistente e socialmente legítima, se encontram desde já sob fogo cruzado.
Pode haver números, mas os “mensageiros” serão desacreditados.
Para isso contribuem as notícias falsas sobre notificação indevida de COVID-19 como causa de morte em óbitos por outras causas, hospitais vazios e o sucesso garantido da nova droga – a cloroquina – que poderia substituir todo o esforço de confinamento social e corrida para equipar hospitais e ampliar leitos para receber pacientes por todo o país.
No caso da cloroquina, seu possível sucesso nas pesquisas clínicas fica comprometido pela confusão causada pela captura simbólica promovida por governos como o de Bolsonaro.
O terceiro motivo é que a experiência da quarentena e de seus efeitos sobre a evolução temporal da epidemia será sentida de forma diferenciada pela população de acordo com as classes sociais e com o acesso aos sistemas público e privado de saúde.
Uma reportagem da Folha de São Paulo demonstrou a diferença de oferta de leitos de UTI por 10 mil habitantes no SUS (1,04) e no setor privado (4,84). No Rio de Janeiro, por exemplo, a diferença chega a 0,97 no SUS para 8,7 no setor privado, o que significaria, lido de forma rápida, que um leito no setor privado é cerca de 9 vezes mais acessível do que no SUS.
A demanda de leitos nos epicentros da epidemia na Europa foi em média 2,4 leitos de UTI por 10 mil habitantes. Se a mesma média for mantida para o contexto brasileiro, isso significaria que o “achatamento da curva” e o colapso do atendimento médico pode ocorrer em tempos distintos no SUS e no setor privado.
Se fossem consideradas como duas populações diferentes, os que têm acesso ao setor privado e os que só têm acesso ao SUS, podemos ter uma situação em que a quarentena pode ser suficiente para preservar o setor privado e atender seus usuários, mas não conseguir frear uma catástrofe epidêmica para a grande maioria da população.
Esta última cisão – resultado da acentuada desigualdade social vigente no Brasil – é agravada pelas anteriores.
É justamente essa população mais suscetível à catástrofe epidêmica que será (já está sendo) invisibilizada tanto pelos meios de comunicação e pelas pesquisas, quanto pela própria capacidade de gerar dados confiáveis sobre o impacto da epidemia nos contextos sociais mais precários – prisões, favelas, periferias, interior, etc.
Por fim, uma última cisão se expressa nos efeitos econômicos da crise. Cabe aqui lembrar que a situação econômica no Brasil já vinha estagnada desde o ano passado e a turbulência financeira já havia se expressado de forma acentuada antes mesmo da evolução do coronavírus e da quarentena em larga escala.
Diante da situação excepcional, no entanto, o governo tem se movido para atender, em primeiro lugar, seus avalistas do mercado, atrasando todas as medidas que poderiam induzir os cidadãos mais desamparados a reforçar a quarentena.
Entre os diferentes setores da economia, a crise será sentida e remediada de forma diferente, mas a principal diferença será entre os trabalhadores, precarizados, desempregados e com renda sufocada, e os grandes empresários e banqueiros, com suas margens de lucro resguardadas pelo socorro do governo.
O governo federal emite diferentes mensagens contraditórias: o Ministério da Saúde adverte que sair de casa faz mal a saúde, o da Economia não te dá meios para ficar em casa, e o presidente diz que é melhor você sair para não passar fome.
Os governos estaduais e municipais impulsionam a quarentena, com medidas restritivas e ajudas emergenciais que só se sustentam com repasses do governo federal.
O congresso aprova uma renda básica emergencial, mas o governo federal a trata como um fardo.
As respostas mais rápidas são aquelas da própria sociedade: em todos os rincões temos notícia de ações de solidariedade dentro de comunidades levadas a cabo pela auto-organização daqueles que tem um pouco junto com os que menos tem.
Também aqui, a percepção dominante sobre quem “pagou” pela crise e pela quarentena será manipulada para que não se aponte o dedo para o sistema que mantém e acentua a exploração e a desigualdade galopantes que devem se aprofundar durante e após a epidemia.
Diante dessas cisões na produção dos dados, na difusão das notícias e resultados e na desigualdade do impacto epidemiológico e econômico da epidemia, abre-se um campo para que a interpretação dos fenômenos seja marcada pela guerra de narrativas, com sua relativa autonomia aos dados da realidade fenomênica.
Em vez de enfrentar o problema em sua radicalidade, a opção do governo federal certamente será a de operar os mecanismos de percepção social para impedir que qualquer mudança real seja levada a cabo como resultado de uma constatação da catástrofe social revelada pela catástrofe epidêmica.
O “quarentena” e o “cloroquina” como duas atitudes opostas diante da epidemia
Aqui nos dedicamos a uma tentativa retrofuturista, considerada na acepção de interpolação do passado e futuro.
Estamos em abril de 2020 e os tempos estão embaralhados. Aqui no Brasil, vemos o que se passa nos EUA, na Itália e na Espanha com uma projeção do que pode vir a acontecer nas próximas semanas.
Vivemos um tempo de espera do pior. E muitas vezes pensamos e nos referimos à catástrofe epidêmica como se ela já estivesse acontecendo ou mesmo como se já tivesse acontecido.
Mais do que pensar, importa ver como a percepção de um futuro que ainda não aconteceu condiciona nossa atitude e disposição nas ações do presente e na preparação para enquadrar a catástrofe iminente em sistemas de referências e modelos de realidade que estão se configurando em tempo real, com suas atualizações diárias de informações e sentimentos.
O argumento aqui é o de que a cisão nas expectativas e nos modelos de apreensão das informações tem sido operada de forma intencional pelo governo federal como estratégia para evitar a conflagração de medidas eficazes e consistentes para enfrentar a epidemia e seus efeitos.
Essa cisão, no entanto, está assentada em bases sociais bem estabelecidas, que servem como matéria prima para a guerra de narrativas sobre “o que se passou” – esse futuro que ainda não passou, mas que está neutralizado de antemão.
Faço aqui uma distinção entre duas formas genéricas de se relacionar com a epidemia: o “quarentena” e o “cloroquina”. É uma simplificação, uma generalização assumida, mas que tem como objetivo exemplificar o quanto a cisão pode se manifestar na sociedade brasileira.
O “quarentena” parte do pressuposto de que tem uma responsabilidade individual na construção de um esforço coletivo para evitar a catástrofe.
Recusa-se a correr riscos mas também a ser um possível vetor, um transmissor do vírus para as pessoas mais expostas (trabalhadores de serviços essenciais) ou mais vulneráveis (idosos e grupos de risco).
Busca um leque amplo de informações, que o permite observar o que se passa em outros países, aprender as recomendações sanitárias, mudar sua rotina e procedimentos básicos de sua vida cotidiana.
Aceita os eventuais prejuízos e sacrifícios que a situação exige, seja por ter condições econômicas para se manter no período da “quarentena”, seja porque não tem outra opção diante do fato de que a “economia” não está mais rodando como estava.
Além de se vincular a iniciativas de ação solidária, seja como doador, seja como receptor, acredita que o governo deve assumir os custos necessários para garantir as várias formas de assistência emergencial para que os mais desprotegidos possam superar essa situação.
O “cloroquina” parte do pressuposto de que alguma solução farmacológica deve ser alcançada para que o ritmo “normal” de funcionamento da sociedade seja mantido.
Aceita correr riscos e não acredita que possa ser um transmissor, uma vez que minimiza os reais efeitos do coronavírus, inclusive pressupõe que exista uma inflação dos números oficiais com a finalidade de alarmar as pessoas.
Considera exageradas as medidas restritivas e sanitárias, mas cumpre quando lhe convém, ou por via das dúvidas.
Atribui à quarentena a causa dos prejuízos econômicos, seja porque teve que suspender seus negócios, seja porque não tendo outros meios para se sustentar, precisa “furar” a quarentena para garantir seus ganhos imediatos.
Tem dificuldade de lidar com uma renda básica universal, mesmo que temporária, pois acredita no valor do trabalho como distinção moral entre os que superam suas dificuldades e aqueles que se acomodam.
Acredita que o governo deveria garantir o direito de retomar as atividades.
O “quarentena” enxerga a cloroquina como uma hipótese que ainda demandaria estudos mais consistentes para que seja adotada como medicação no caso do coronavírus.
O “cloroquina” encontra nela sua tábua de salvação, que poderia justamente evitar a necessidade de uma quarentena, uma vez que se todos os pacientes se tratassem com o remédio a demanda de hospitalização e o número de óbitos diminuiriam.
O “quarentena” acredita na ciência, tanto que sabe que ela não pode trazer uma solução mágica imediata, pois demanda tempo e investimento para que as pesquisas necessárias sejam realizadas.
Enquanto isso, resta ouvir o que tem a dizer a epidemiologia e a medicina social, que também são ciências, e que estão dizendo claramente que não basta acreditar na ciência, é preciso que todo o sistema social se movimente para encarar a epidemia.
O “cloroquina” acredita que Deus vai capacitar os cientistas a descobrirem a solução, que é a cloroquina – logo, para que pesquisa, cientistas e investimento, se a resposta já está dada.
No espectro político, o “quarentena” tende a encarar com simpatia as medidas e resultados atingidos pela China no enfrentamento ao coronavírus, assimilados e difundidos pela OMS, enquanto o “cloroquina” acusa a China de ter escondido o vírus ou de estar se aproveitando economicamente da fragilidade das economias ocidentais diante da epidemia.
Quando se encontram no mercado e na farmácia, o “quarentena” está de máscara, não toca em nada e procura se afastar de tudo e todos. O “cloroquina”, por sua vez, está sem máscara, fala alto, mexe em tudo e não guarda distância.
O “cloroquina” olha para o “quarentena” como um exagerado alarmista. O “quarentena” olha o “cloroquina” de forma assustada, e o julga como um alienado egoísta.
Mas mesmo esses dois grupos não são homogêneos e estão suscetíveis a certa projeção.
O “quarentena” poder enxergar o “cloroquina” somente como o típico empresário que quer mais é tocar seus negócios, seguindo o discurso do dono da hamburgueria Madero ou o “véio da Havan”, mas não vê como a atitude do “cloroquina” está disseminada e possui uma base social ampla nos trabalhadores precarizados e informais que não possuem nenhuma forma de defesa coletiva nem resguardo financeiro.
Para estes, a “quarentena” não é uma opção e não há como esperar o governo federal.
Já o “cloroquina” tende a projetar no “quarentena” a imagem de uma classe média elitizada, com reservas econômicas, emprego garantido e meios confortáveis de ficar em casa.
Um mundo comum onde possa brotar um “nunca mais”
O exercício aqui é lançar luz sobre como a experiência social polarizada diante da catástrofe que se avizinha pode ser o antídoto para evitar qualquer mudança significativa que advenha da percepção da epidemia como um acontecimento liminar, que marque uma mudança real na maneira como nos organizamos como sociedade.
Para o “cloroquina”, não haverá isso que se chama de sociedade, mas uma coleção de indivíduos mais ou menos aptos a se adequar às novas condições de trabalho e consumo, circulação e habitação, níveis de renda e acesso aos sistemas de saúde.
Para o “quarentena”, caberia uma exigência radical de serviços públicos universais, sem a austeridade propagada pelo mercado, com políticas de renda universal e redução de desigualdades.
Pode ser que muito em breve o “quarentena” e o “cloroquina” estejam se reencontrando no hospital ou no cemitério, num inferno sartreano sem espelhos, e pudessem olhar a si mesmos na imagem refletida nos olhos do outro.
Nesse momento, seria importante que ambos olhassem do lado de fora o mesmo mundo e do lado de dentro o que realmente fizeram diante da catástrofe, que a realidade inoculasse a guerra de narrativas de uma forma inescapável.
Seria importante construir uma história comum, que possibilitasse uma compreensão da real dimensão da epidemia, de suas causas e consequências, de seus efeitos desiguais, e que pudesse esta narrativa ser a base da superação de um mundo que tornou (terá tornado) possível a catástrofe que se avizinha.
Aqui é impossível não confundir os tempos verbais. .
submitted by Matmil1342 to brasilivre [link] [comments]

Não faço questão de estar com ninguém

Então, vim aqui fazer esse post pois desde que me conheço por gente, tenho uma característica que pra mim é ótima, mas sempre me faz sofrer por falta de compreensão das pessoas:
EU NÃO FAÇO QUESTÃO DA PRESENÇA FÍSICA DE NINGUÉM NA MINHA VIDA!
Isso significa que eu nunca sinto necessidade de ir visitar ou encontrar ninguém. Isso vale pra amigos, pros meus "romances" e familia.
Pra mim, basta manter contato virtualmente e eu já me sinto satisfeita, mas pra eles não! Então constantemente as pessoas cobram a minha presença nos eventos familiares, dizem que eu não ligo pra ninguém, que sou uma má filha, neta, etc... E eu não suporto mais a pressão de ser presente na vida das pessoas, isso me esgota totalmente.
-Fui taxada de odiar os meus avós simplesmente pq passei 10 anos sem ir a casa deles;
-Meu pai me acha uma péssima filha pq nunca fui visita-lo;
-Meu primeiro namorado brigava comigo pq a gente se encontrava só uma vez por mês, sendo que pro meu universo aquela frequência era descomunal!
-Eu encontro cada um dos meus amigos 1x no ano, eles acham pouco e vivem me cobrando presença.
Detalhe: Eu estou todo dia nas redes sociais e converso com todos eles. Pq será que é tão difícil me aceitar como eu sou???
Atualmente eu vivo em outro estado, passei 6 meses longe de todos e agr em Janeiro voltei pra passar as férias aqui. Em quase 1 mês, só consegui sair de casa 3x, pq é extremamente exaustivo estar fisicamente com pessoas. Ainda não vi meus avós, nem metade dos meus amigos. Visitei a família da minha mãe numa festa que rolou aqui, minha melhor amiga, e fui na Universidade em que me graduei rever meu antigo orientador e ex-colegas. Só.
Sabe, eu não suporto mais essa pressão... Eu não sei como satisfaze-los. Eu os amo, mas não preciso estar perto fisicamente, e na real, nem quero. Estou pensando em voltar pro estado onde vivo, e não voltar nunca mais.
Pra quem quiser me visitar, deixarei minhas portas abertas, mas não quero me submeter a esse sofrimento psicológico ainda mais.
Só quero distância e paz.
submitted by AstroSabino to desabafos [link] [comments]

Recebi no familiazap: Tapetes de entrada com corona.

Hoje cedo recebi esse texto no familiazap: "Assunto: Tapetes
Solicitamos que retirem os tapetes das entradas dos apartamentos , casas . Na Alemanha descobriu-se que os tapetes eram verdadeiros “criadouros” do vírus. Troquem o tapete por um pano úmido com água sanitária, assim estaremos minimizando mais um local para a disseminação do vírus e protegendo a funcionária da limpeza. A maioria dos tapetes dos condomínios e casas foram retirados.
Contamos com a compreensão de todos!"
Procurei imediatamente alguma notícia sobre contaminação via tapete de entrada e não achei. Eu não chego a duvidar que esses tapetes, em alguns lugares, podem vir a ter covid, porém acho difícil que eles tenham uma eficácia real em transmitir para seres humanos. O único meio deles "alcançarem" o rosto seria por meio de crianças e/ou o pelo dos animais de estimação. Sendo assim deixei esse texto para eles:
"Acho válida a preocupação. Mas não achei nada sobre essa preocupação na Alemanha e a dica de se deixar os sapatos fora de casa ou perto da porta possivelmente já elimina esse problema, já que não é uma região de comum acesso, a não ser para crianças pequenas.
E a ideia é deixar sempre úmido com água sanitária? Meio difícil manter essa dica. Acho mais fácil abandonar o tapetinho, se se sente com medo dele transmitir doenças."
Opiniões sobre o assunto?
submitted by Leotmat to coronabr [link] [comments]

O empreendorismo sumiu da TV? porquê sempre foi um Blefe....

Tudo seria muito engraçado se não fosse no meu país...
A crise do novo coronavírus, a quarentena forçada e, golpe de misericórdia, o toque de recolher fechando comércio e evitando circulação e aglomeração de pessoas nos espaços públicos, foram o golpe fatal em um sonho que tinha tudo para dar errado: sem garantias sociais, além de não poder contar com uma rede social de proteção representada pela carteira de trabalho, os “empreendedores” foram deixados no vácuo: food bikes, food truckers, motoristas de aplicativos, pipoqueiros e toda uma legião de pessoas que acreditavam apenas no poder da força de vontade.
Diante da situação catastrófica de milhões de “empreendedores” sem conseguir ganhar o pouco que ganhavam antes, de uma hora para outra as expressões “empreendedorismo” e “empreendedor” sumiram do noticiário. No lugar, a designação real desses desempregados sem garantias trabalhistas e sociais.
Agora o noticiário os designa como “autônomos”, “trabalhadores informais”, “ambulantes”. Todos sem renda, à espera de algum plano ou medida do governo para ajuda-los.
Pedra de toque do discurso que legitimava as reformas trabalhista e previdenciárias desde a Era Temer, agora a panaceia do “empreendedorismo” é protegida do noticiário negativo. Sumiu! Nenhum “empreendedor” está em crise... só ambulantes, informais...
Esse é o jornalismo no álcool em gel, que perde os anéis, mas tenta salvar os dedos. Na tentativa de salvar semioticamente a palavra “empreendedorismo” (evitar que seja contaminada pelo vírus da desmoralização), a cobertura da crise nacional do COVID-19 torna-se tão asséptica quanto álcool em gel.
Dentro dessa estratégia semiótica para salvar a varinha de condão ideológica do empreendedorismo, o viés da cobertura tem sido a da “solidariedade” e da “empatia” dos brasileiros repentinamente postos em quarentena e isolamento social.
Propositalmente esconde que essa “solidariedade” e “empatia” é apenas entre os socialmente iguais – muitos já começam a ser sumariamente demitidos, embora as autoridades peçam “compreensão” e “negociação” para “garantir os empregos”.
vírus trazido pelos ricos para o Brasil, vai descer a pirâmide social e transformar os “empreendedores” sem renda das periferias em vetores que exterminarão a parcela da população mais vulnerável, os idosos e doentes... quem sabe isso faça parte de uma agenda oculta da reforma da Previdência...
No centro de toda essa pandemia do COVID-19 está a estratégia semiótica de manipulação de expectativas, assim como foram as reformas e a promessa do empreendedorismo como a alavanca para o crescimento do PIB: milhões de maquinhas de débito e crédito que iriam aquecer a economia e bombar o PIB. Mas o futuro nunca chega.
Cadê o "empreendedor" que estava aqui?
submitted by Matmil1342 to brasilivre [link] [comments]

O Mundo ta pesado, as pessoas estão exaustas... Porém eu não irei desistir de cada uma que precisa ou precisará de mim!

Talvez ouça angustias dores muito pesadas ou coisas fora da minha compreensão mas só de apenas ouvir e tentar ajudar de alguma forma me sentirei bem, pois quanto menos as pessoas sentirem o peso do mundo; mais as pessoas serão mas leves assim consequentemente criando uma reação de luz em cadeia fazendo do mundo leve De novo. sejam fortes!
um dia cada um de vocês que passaram por trevas vendável, feridas abertas para fora da alma olharam para os céus e dirão: "Eu superei" "Eu consegui" "Eu venci" "Eu estou aqui de novo"
vocês todos são luzes! o passado não pode ser mudado mas vocês podem renovar o presente fazendo um novo futuro... Perdoe o palavreado mas vcs são luzes fodas pra caralho: olha o tanto de coisas que já superaram, Hoje vcs estão aqui de uma forma ou outra... Eu acredito em cada um de vocês desse sub reddit inteirinho, posso não conhecer como é cada dor mas sinto que logo muitas luzes mandaram muitas dores e angustias pra fora da via láctea; A verdadeira verdade é: que todos aqui podem mudar o mundo com simples atitudes, seja de um breve sorriso a um longo conselho, seres humanos são seres sociáveis! o mundo precisa ouvir cada uma das suas historias pode ser em uma arte em tintas ou uma breve jogada com números de logica, O mundo precisa ver vocês viverem e construírem um futuro mas forte que o passado pesado.
O mundo é cheio de possibilidades... mantenham o equilíbrio!
pois até o mundo em natureza está desregulado do extremo ao extremo.
A gente nunca sozinho quando está com nossa própria alma, mas mesmo a solidão sendo existente lembrem que: seja solidão ou imerso vazio sempre podemos tentar nadar a superfície e assim nadar a arte mais próxima, porque nós seres humanos somos artistas dos números as tintas, das tintas a filosofia abstrata construída em um argumento fino de poesia ou uma boa literatura com a mecânica engenharia do impossível... somos seres biológicos e capazes de vencer! vencer não é chegar ao topo ou realizar sonhos mas fazer pequenas coisas dando a gratidão e o prazer de viver, por mais minimas que sejam: podem ser tão comuns quanto acordar levantar e sorrir, se você tem um novo dia, você tem uma nova chance. Qualquer coisa to aberto no chat pra desabafo ou qualquer assunto que quiserem falar do mais surreal possível ao mais real tangível.
submitted by camilocristianob to desabafos [link] [comments]

Guiazinho sobre Fake News. Minha abordagem e visão sobre o tema, e como combatê-la.

Acredito que a maioria de vocês compreendam como e para que(m) as notícias falsas trabalham. O risco de cair no óbvio é natural, mas com esse post eu gostaria de fazer o exercício da escrita e, talvez, ajudar a compreensão coletiva da força motriz do atual governo.
Vale notar que aqui escrevo minha visão e entendimento particular do fenômeno, de como fiz um apanhado de informações diferentes e juntei numa hipótese geral. As bases e conclusões são tirados de textos e debates que venho acompanhando sobre o assunto já há algum tempo.
Sem mais delongas, vamos a isto:
0. O Nascimento 
O processo todo começa de maneira dissimulada e insidiosa. Depois de um tempo, a partir de ligações lógicas muito simplórias, começam a tomar corpo e ficar cada vez mais sérias - as vezes sem sentido também.
Começa como uma piada, um relato de violência, um pânico com o estrangeiro. Conversas coloquiais, aquelas de botequim de quem não tem nada melhor a dizer e tem que manter a conversa rendendo enquanto a cerveja não acaba.
Um meme aparentemente inofensivo que exalta um político corrupto ou até mesmo vídeos informativos sobre o poderio militar de um país podem fazer parte de um esquema maior. Não quero dizer que obrigatoriamente fazem parte de uma grande conspiração mundial, mas, propositadamente ou não, lançam bases para o ataque aberto das fake news. É a preparação de um terreno para ser plantado.
Se você quiser fazer uso do método, você precisa de um ambiente propício. Esse ambiente pode ser muito bem fabricado, não importa se tem conexão com a realidade ou existe elos lógicos, ele só precisa existir na mente da população.
O que você precisa aqui é de propaganda. Muito melhor que você elaborar uma propaganda formal para TV, que é claramente verticalizada, de lenta elaboração e toda engessada, é fazer conteúdos imagéticos simples, toscos até, bem característicos da internet.
A circulação de memes ou de imagens que poderiam ser feitas por qualquer um tem uma penetração muito maior no imaginário da população. A aparente horizontalidade é outro pilar pra aceitação rápida e fácil por seus pares.
A propaganda boca a boca é a alma da fake news, ela confere o poder, ironicamente, da democracia para o convencimento de seus semelhantes. Claro que uma ajudinha da TV sempre é bom, principalmente se você for polêmico e controverso. Polêmica dá audiência, ambos saem “ganhando”.
1. O Público 
Vamos definir logo as coisas. Existem as pessoas que caem em fake news e pessoas que as fabricam. A convencida não o faz por mal, ela é levada por um caminho mais fácil de corrigir seus problemas; estas são mais fáceis de se arrepender. As fabricadoras não, elas tem consciência da mentira espalhada e ainda assim passam adiante porque vê algum lucro com toda essa situação. Como sempre existem os enganados e os enganadores.
As mentiras, difamações e notícias falsas são como uma carta sem remetente. Elas têm endereço certo de entrega, mas ninguém sabe quem enviou.
Toda fake news tem uma personalização na hora de ser enviada. A estratégia nunca é atacar todos com um conteúdo só, mas dividir a população em grupos compostos por personas, cada uma no seu quadrado e com sua vulnerabilidade exposta. Públicos diferentes reagem de maneiras distintas a cada estímulo ao qual são expostos. Logo, a personalização é fundamental para que a notícia faça o maior estrago possível.
Agora quem é esse público?! Todo e qualquer um que se julgue vulnerável.
Há muito mais tipos de personas, mas acho que já deu pra perceber que todas tem duas coisas básicas em comum: frustração e desejo de mudança/vingança.
Essa generalização nos leva ao próximo ponto do método.
2. Os Sentimentos 
Fake news não lidam com verdade ou mentira, fatos ou factoides, coerência ou incoerência. Esqueça a racionalidade, a checagem de notícias e a argumentação lógica. As Fake News miram nos sentimentos! O negócio é provocar reações profundas em seus receptores. Quando você atinge o sentimental de uma pessoa o racional é desligado e ela age no instinto. Por isso não adianta em nada apelar para a razão, estas pessoas estão sendo movidas pelas entranhas!
É aterrador, mas a racionalidade, a ciência e a verdade não tem chance mínima contra as fake news, não tem vez. Temos que aceitar esse fato para podermos compreender e reagir de maneira adequada a esse esquema.
O método tem primordialmente dois momentos, que sempre se confundem.
O coração da fake news é o estado de revolta constante imposto aos militantes. A dúvida é o sangue. A intenção é sempre instigar a cólera e a dubiedade. Cólera, não é a doença, é um estado psicológico no qual o indivíduo perde completamente as faculdades mentais e entra em modo berserker. A adrenalina é despejada a toda no sangue, a visão escurece e foca num ponto específico e o corpo se movimenta de modo automático para atacar seu alvo.
Imagine esse estado a todo momento, de forma mais incubada, mais omeopática, um rancor explosivo. É assim que as vítimas vivem todos os dias.
Uma dica breve, você consegue acalmar alguém que está com raiva. Você consegue dialogar com alguém que te odeia, mas você não deve sequer chegar perto de quem está em estado colérico, principalmente se ela portar uma arma. Pelo bem da sua saúde física.
Vale ressaltar que há uma outra tática muito bem executada pelo método para fidelizar essas pessoas. Inicialmente a tática é reunir as pessoas em grupos de perfis sempre mt semelhantes. Crentes com crentes no wpp, incels com outros incels nos chans e por aí vai.
As bolhas das mídias digitais são peça fundamental do meio onde será propagado as mentiras e organizar as vítimas. Sem elas talvez tivéssemos sim esse movimento global, mas de forma mais demorada e em menor escala. YouTube, grupos de Facebook - olá Cambridge Analytica, a precursora do mal - grupos de WhatsApp, Twitter, Chans, Fóruns online, Reddit... Todos esses sites e serviços são modos de nos conectarmos a nossos semelhantes e, claramente, o melhor método de disseminar as notícias falsas. As bolhas são o melhor meio para as fake news personalizadas serem espalhadas.
Além de facilitar o trabalho de distribuição de fake news, cria-se uma identidade e um sentimento de pertencimento a um grupo. Nesses tempos de globalização, sentir-se parte de um pequeno grupo é necessário para manter-se o engajamento desse público, dar uma cara e um objetivo comum para todos lutarem por ele.
Algo a se notar é a perda da identidade individual em prol de uma compartilhada. É uma característica meio fascista, meio comunista, é estranho pra quem supostamente luta pelas liberdades individuais. Não à toa aqui chama-se esse público de gado.
3. A manutenção 
A etapa anterior é fundamental para a manutenção. Se o indivíduo se sentir cada vez mais só numa causa, maior a chance dele a abandonar.
Imaginem o bater de palmas: começa quase sempre por poucos indivíduos, toma corpo muito rápido e depois diminui quando o ritmo decai. Ao passo que as pessoas vão vendo que os outros estão deixando de aplaudir ela para também. Morre assim as palmas. Morre o movimento.
Como não se pode deixar o gado morrer de inanição por causa da fome, existe um alimento básico e diário para o rebanho se manter forte e aguerrido.
3.1 O inimigo 
Por que dia sim, dia não o presidente solta uma controvérsia?! Então, é pra não deixar o movimento morrer, os sentimentos esfriarem. A guerra constante é fundamental pra manter a base atuante. A paranoia e a dúvida constante são fundamentais no psique da turba, nunca se esqueçam.
Mas guerra contra quem?
Contra quem simplesmente não importa. Por quê? Porque você pode eleger seu inimigo.
Os Comunistas, a esquerda, o PT, o Lula, a Rede Globo, o STF, os cientistas, a democracia, a constituição, o Congresso, o time do Vasco da Gama, o vizinho gato que troca de roupa com as cortinas fechadas, a ilha de Madagascar e o Rei Julian.
Não importa o nome, o inimigo tem que existir, mesmo que ele nem seja real. Você não mobiliza um exército pra sequer lutar. A movimentação e as batalhas tem que ser travadas todos os dias, é peça fundamental do método. Como disse anteriormente, se os militantes não estiverem sempre em batalha, a paz reina e as palmas cessam. O plano fracassa.
A parte interessante dessa guerra contra um moinho de vento é que ele retroalimenta todo o sistema de fake news. É um sistema simbiótico onde a mentira alimenta o sentimento negativo, que dá cacife para a inserção do discurso de ódio, que alimenta a ação da militância, que, obviamente, vai provocar uma defesa por parte do atacado. No momento que o inimigo reage o sistema volta pra primeira etapa e a roda volta a girar.
3.2 O Messias 
Todos nós quando estamos nos afogando temos o reflexo de procurar algo para se segurar e apoiar. Este mesmo reflexo é usado e abusado no funcionamento das fake news. Você está desesperado, em estado constante de dúvida, pra todo lugar que você olha tem alguém querendo te roubar, do seu vizinho ao seu político. A vida realmente parece sem saída.
“E conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará.” João 8:32
No meio do caos aparece uma pessoa que te dá respostas. Que te dá soluções que satisfazem tuas necessidades, não só as físicas, mas os anseios inibidos de violência e justiça – vingança. Ele é quase um líder profético, ele nos abraça com suas soluções, seu vocabulário idêntico ao nosso mostra que é um de nós, ele passa por cima das regras e normas que tanto temos raiva. Ele é praticamente um mito vivo.
A crença, por necessidade ou por interesse, é manobrada com certa maestria pelos financiadores do método. Eles pinçam a crença, que no nosso caso é cegada propositadamente, e logo depois apresenta alguém na qual a pessoa possa depositar sua fé, sua mais pura confiança.
E quando me refiro a fé e crença, não é só dos religiosos, que, diga-se de passagem, são os maiores apoiadores do presidente atualmente, mas de qualquer um que veja nesta figura messiânica forjada uma possibilidade de mudança.
Existem os gamers e geeks que acreditam ser os impostos a maior barreira para consumirem suas mídias e gadgets. Os libertários de internet que culpam o Estado pela “falta de liberdade econômica” do mercado. Temos até mesmo os militaristas indignados que, para resolver a situação da violência, precisamos ser mais violentos ainda. A lista vai longe e todos estes grupos supracitados estão em condição vulnerável, tanto para acreditar quanto para seguir o Messias de fake news.
Como todo bom Messias, ele tem discípulos, apóstolos que são encarregados de espalhar sua palavra. Aqui coloco duas peças fundamentais, os digital influencers e os empresários financiadores de disparos em massa.
O Messias nem sempre tem tempo de discutir e promover a baderna necessária para estar sempre em voga. Para isso, seus apóstolos, nossos influencers, estão sempre ativos para fazer a defesa de seu patrão. Não se engane, eles são pagos e recebem informações e fake news de cima, algo realmente verticalizado, para que possa se criar mais uma narrativa da semana.
Os influencers gozam também de uma maior informalidade e proximidade de seu microcosmo. Podem ser ex-jornalistas ou ex-cientistas para dar aquele verniz formal pro resto da sociedade, mas a maioria são pessoas comuns. Novamente, essa aproximação e aparente democracia, ajuda na identificação dos seguidores e no seu acirramento. A pessoa não é um simples seguidor, ela é um membro de uma seita, ela se deixa cegar para participar do grupo e estar mais próximo de seu mestre.
Os empresários, amigos de seu Messias, são os grandes responsáveis pela fase de overload. Sem eles, os bots e as inundações de notícias falsas, que devem ser criadas, não existem. Obviamente nem tudo parte de cima pra baixo, nessa pirâmide disfarçada de plano 2D, as vezes você precisa de um empurrãozinho e os próprios membros fazem o trabalho de graça. Mas sempre precisa de um empurrão inicial!
Por isso bots e compartilhamentos em grupos são tão preciosos na formulação de uma mentira. A intenção é sempre fazer o volume vencer a qualidade. O objetivo, novamente, é por dúvida na cabeça dos seguidores e criar uma narrativa distorcida da realidade para que elas se esqueçam do erro do chefe supremo e embarquem em uma nova jornada. Todos os dias.
Sem dinheiro, as fake news têm os dias contados. Há sempre um gabinete, um grupo muito bem articulado para apontar e executar a ordem do dia.
E por último, todo Messias que se preze é perseguido e tentado calar. Ele até sofre tentativas de homicídio. Toda essa perseguição é assumida por seus seguidores, é algo como se “mexeu com ele, mexeu comigo”. Sua turba sente na pele os ataques que seu Mito sofre, merecidamente, por mais simples que seja, como uma discordância.
Coincidência com a realidade? Pois é, é porque é mesmo.
4. Falhas do método 
O problema maior do método é ao mesmo tempo uma de suas finalidades. Destruir, desagregar, explodir. Caos. Apesar do paradoxo, necessidade de agrupar as pessoas para que elas caotizem tudo, é nessa lógica que eles operam. E dá muito certo, muito mesmo, as eleições de vários países provam isso. Mas por quanto tempo?
Com o passar do tempo os grupos de WhatsApp ou Facebook começam a implodir. Ter debandadas e discussões cada vez mais acirradas. A radicalização é a tônica do processo. Nem todo mundo gosta de radicalismo, na verdade poucas são as pessoas naturalmente inclinadas para os extremos, vide nossa política em tempos normais. As pessoas são levadas para as pontas em situações muito adversas, como a que estamos vivendo.
Cansa estar sempre no extremo.
É cansativo a cada dia que passa ter que defender algo no qual não se aceita completamente. A falta de diálogo e somente a repetição uníssona de um discurso fixo e batido leva a estafa dos membros. Alguns aguentam mais por crença ou por lucro, outros menos, é natural.
A entropia destes agrupamentos é inevitável, afinal a destruição está marcada no DNA deles.
E quando de fato houver rachas teremos grupos mais e mais fanáticos e perigosos, outros arrependidos, outros envergonhados e outros mais moderados.
Podemos observar esse fato com a demissão do ministro símbolo do combate à corrupção. O mesmo fato também é interessante de se observar a lentidão das reações às acusações feitas pelo ex-ministro.
Foram horas de apagão nas redes bolsonaristas. Horas! Enquanto o presida sofria na TV e na internet, os influenciadores simplesmente não sabiam o que dizer, o que atacar, e realmente se atacar. Estavam sem norte, sem uma cabeça que os dissesse o que reproduzir. Somente depois do “discurso” presidencial o ataque a Sérgio Moro começou com força e com bots. A narrativa estava montada e o overload posto em prática.
Esse meio tempo clareia a organização por trás de difamações e fake news do atual governo. Se fosse para apostar, diria que nesse ínterim foi discutido na sala da injustiça qual caminho tomar. Seria melhor atacar alguém com fama e reputação impecável com seu público? Ou seria melhor tentar um diálogo e por panos quentes na situação?!
Como o método não é afeto ao diálogo, a campanha de difamação contra Moro foi executada. A aposta foi dobrada. É assim que se contém danos nessa lógica deturpada.
Aqui temos uma palpável derrota, uma grande falha no método de ação dos mentirosos. Eles sempre aceleram mais, não tem breque, é sempre pra frente, custe o que custar. Como disse anteriormente, pessoas vão ficar pelo caminho, a tendência natural é o desgaste, o descolamento destes grupos que ficam cada vez mais nucleares.
5. O que fazer 
A motivação para sair dessa vida é completamente intrínseca ao participante. Geralmente desapontamentos, discussões e estafa os levam a desistência. Somente um minion pode deixar de ser minion. Se ele não quiser e for até o fim, não tem jeito, seu conhecido ou parente tem alguma deturpação moral ou social. Pessoas assim existem e são aos montes.
Temos que saber que não será da noite pro dia. O desapontamento é gradual, é um processo que as vezes demora, as vezes é rápido e obrigatoriamente tem que partir do afetado.
Isso não quer dizer que devamos ficar de braços cruzados esperando as pessoas se tocarem do erro que elas fizeram.
Proponho que mantenhamos o combate armados do deboche, do uso de memes, de simplesmente reproduzir as falas descabidas do pres para seus seguidores. Descemos o nível, mas temos que impactar também o emocional do minion. Ciência e razão não funcionam com eles, simples assim. O impacto tem que ser no emocional!
Por em cheque suas crenças absurdas com uma torrente de absurdos dos mesmos me parece ser uma boa tática. O overload contrário dentro do habitat natural serve para gerar mais dissonância e confusão, portanto temos que fornecer soluções também. Soluções simples, mas de sinal trocado.
Evitar por políticos da oposição no meio também ajuda. Algum fala uma coisa importante?! Diz que foi o tio do amigo que é médico. Lembrem-se que a sensação de horizontalidade pega de jeito as pessoas. Pessoas desconhecidas falando contra, memes debochando, a verdade, mesmo que espremida pelo formato tem que prevalecer.
Essa é minha tática e já tenho posto em prática. Parecer amigável, mas inundar de controvérsias sobre o que acreditam. Não é porque a conversão é intrínseca que não podemos dar uma ajudinha. Pedra dura em água mole, tanto bate até que mole.
Vocês devem ter outras também, gostaria que adicionassem aqui. Quase todas são eficientes, apesar de não acreditar nem um pouco em checagem de fatos e afins.
O campo do jogo é o emocional, não nos esqueçamos.
submitted by TheCaraqmoranextdoor to brasil [link] [comments]

A normatividade da consciência política se dá à DIREITA!

A RPDC já há mais de 50 anos promoveu a total e completa Socialização dos Meios de Produção;
Todas as decisões relevantes do país são feitas por meio das associações de trabalhadores nos seus mais diversos tipos e formas;
Não há qualquer traço de burguesia na RPDC, que foi total e completamente destituída de seus poderes, tanto políticos quanto econômicos;
Com a tradicional divisão dos 3 poderes da República disolutos, não na centralização do poder, mas nas mãos das associações de trabalhadores, assembleias regionais e comitês em seus mais diversos níveis, do partido,
Temos de fato um país governado pelos trabalhadores, aonde a democracia se expressa em participação política real - e não nos mitos liberais de representação abstrata - e por tanto um regime politico plenamente socialista, e mesmo assim, há aqueles que se auto proclamam de Esquerda, e questionam o aspecto emancipatorio da RPDC.
Porquê será?
A normatividade da política - e concomitante da ideologia política - se da à direita.
Como é o discurso liberal que normativiza a compreensão política, qualquer forma de governo que esteja radicalmente oposta ao capitalismo/ liberalismo, passa a ser considerada autoritária e coisa do tipo.
submitted by Emile-Principe to BrasildoB [link] [comments]

Jones Manuel - os revolucionários e a questão da violência

Jones Manuel - os revolucionários e a questão da violência
https://www.youtube.com/watch?v=d6kdHZqd0uc&t=4s
Salve galera. O tema do vídeo de hoje e “Os Revolucionarios e a questão da violência”: quem realmente defende a paz? Ano passado Gregório Duvivier no seu programa Greg News fez um vídeo falando que os revolucionários como Lenin eram militaristas, a favor da violência, ao contrário dos social-democratas. Esses sim Democráticos e Defensores da Paz. E muito comum ouvir nos discursos da direita e de certa esquerda liberal e moderada que os revolucionários, em especial os anarquistas e os Comunistas são Defensores da violência, do sangue e que eles gostam de ver morte. Mas é verdade realmente? Os revolucionários eles são Defensores da violência? Eles têm fetiche pela violência? A história real não é assim! Antes de entrar propriamente em uma análise histórica, e importante algumas considerações teóricas: os revolucionários - especialmente os marxistas - consideram que a violência é um dado estrutural do sistema capitalista. O capitalismo como um sistema sócioeconômico que funciona oprimindo e explorando a imensa maioria da população, precisa da violência para se reproduzir. Então não é coincidência que em todos os países capitalistas do mundo as principais vítimas da violência policial e do sistema penal e carcerário sejam pessoas pobres oriundas da classe trabalhadora. Também não é coincidência que todas as vezes que existe uma rebelião Popular, uma tentativa de revolução, ou até uma série de Protestos massivos, a resposta do Estado burguês é repressão repressão e mais repressão. O que os marxistas perceberam foi que a violência é um dado da realidade gostemos dela ou não. O capitalismo ele não funciona sem uma violência sistemática contra os de baixo. Evidentemente que em alguns países o uso cotidiano da violência é maior do que em outros. Em países de Capitalismo dependente como o Brasil, a violência no cotidiano da classe trabalhadora é muito maior do que em países de Capitalismo Central. Como por exemplo se você for comparar os índices de letalidade policial Eles são muito maiores no Brasil do que na Inglaterra. Só que essas diferenças, embora importantes, são explicadas não porque o capitalismo na Europa é mais democratic, mais humano, mas sim porque ali é um dos centros mundiais do capitalism, e a riqueza extraída de toda a periferia do capitalismo possibilita um nível de distribuição de renda um pouco melhor, e as contradições e os conflitos de classe tendem a tomar um caráter menos Agudo. Mas até isso na própria Europa já está mudando. Não é mais uma realidade então atual, até porque não existe mais estado de bem-estar social na Europa: ele já foi quase que todo destruído.
Outra questão muito importante é que os teóricos da burguesia, os ideologos do capitalismo tendem a subestimar o papel da violência na reprodução desse sistema e não so pensadores burgueses, até criticos de esquerda acabam caindo nessa ilusão. Por exemplo, a partir dos anos 60 se tornou uma moda na Europa ocidental a partir de certa leitura bastante equivocada de Gramsci, dizer que a dominação de classes no capitalismo desenvolvido não se dava mais com uso da força, mas sim pela hegemonia, pelo convencimento. Então escolas, igrejas, partidos politicos, meios de mídia, seriam o principal instrumento de dominação da classe dominante. Michel Foucault passou a falar de uma microfísica do Poder: uma sociedade com instituições carcerárias capilares: tanto a escola com uma clínica psiquiátrica, seria uma instituição carcerária em uma análise descendente do poder: ou seja uma compreensão do Poder de baixo para cima. O estado burguês com seu sistema de Justiça Criminal, forças Armadas e aparelhos repressivos da maneira geral não seria o centro estratégico de exercício do Poder, mas sim essas micro relações de poderes conferidos por toda a sociedade. Ainda na França Pierre Bourdier começou a falar de um poder simbolico, que esse sim seria o verdadeiro centro da crítica A Dominação. Fora de um campo de esquerda, Habermas e Hannah Arendt passaram a falar que a política não tem violência. A política é uma esfera de consenso e de diálogo intersubjetivo entre as partes, e se tem violência não é política. A violência seria por definição A negação da dimensão política da vida humana.
Isso tudo e Muito bonito. E ótimo para vender livros, para produzir filmes, para ganhar uma bolsa de produtividade da “Capes, CNPQ” (institutos de pesquiza), mas no mundo real o capitalismo nunca vai dispensar a violência, Especialmente na periferia do sistema. O que os revolucionários compreenderam é que além da violência ser um dado estrutural orgânico do capitalism, não existe em um exemplo na história da humanidade em que uma classe dominante aceitou perder seu poder, Sua riqueza e seu prestígio de forma pacífica, sem a mais brutal reação violenta contra o movimento emancipatório dos de baixo. Aliás a própria América Latina nos dá centenas de exemplos disso: os ciclos de golpes, ditaduras empresariais militares em nosso continente, não foram em sua maioria contra projetos políticos revolucionários. Foram contra projetos reformistas muito moderados: um exemplo disso é o golpe Empresarial militar no Brasil de 1964: o governo João Goulart não era um governo comunista, um governo revolucionário. João Goulart era um político nacionalista que defendeu uma reforma agrarian, reforma bancária, acabar com analfabetismo, saúde e coisas do tipo. Um projeto tão moderado como esse, foi encarado pela classe dominante brasileira e pelo imperialismo estadunidense como algo inaceitavel, e o resultado todos nós sabemos.
Então não adianta idealizer. A classe dominante nunca vai entregar seu poder sem uma reação violentissima, e a violência é um dado estrutural do capitalism. Isso não significa evidentemente que a dominação de classe se dá apenas pela repressão. Como mostrou Antônio Gramisci - e essa e sua contribuição real - a dominação exercida pela classe burguesa se dá em uma combinação complexa e estratégica entre coercao e consenso: convencimento e repressão. Os aparelhos ideológicos da classe dominante atuam para legitimar a violência da burguesia, e Esses aparelhos repressivos da burguesia garantem que os aparelhos ideológicos da classe dominada - dos trabalhadores - sejam reprimidos, combatidos para que a ideologia burguesa seja egemônica no seio da sociedade. Então repressão e convencimento atuam de maneira organica, combinada na ordem burguesa. Isso não significa porém, que a repressão tenha perdido importância nas formas atuais de dominação do capitalismo. Muito pelo contrário: para ter um simples exemplo disso, na França que é mostrada por muitos como um exemplo de país democratic, de país civilizado, quando começou o protesto dos chamados coletes amarelos, o governo Macron em um mês prendeu mais de mil manifestantes, e a França protagonizou cenas de violência brutal da polícia contra os manifestantes. Basta acontecer alguma crise política, levante popular ou tentativa de revolução que a resposta da burguesia vai ser sempre um mar de sangue e de brutalidade.
Do ponto de vista histórico os comunistas sempre foram Defensores da Paz. Na época do movimento operário social-democrata, no período da segunda internacional, enquanto os revolucionarios como Clara Zetkin, Rosa Luxemburgo, Lenin, Trotsky eram contra a política Colonial dos Estados capitalistas em África e em Ásia, os reformistas eram a favor. Então Eduardo Bernstein, por exemplo, defendeu o colonialismo do Estado alemão em África, e dizia que era legítimo: que o Estado alemão estava buscando seus interesses. A revolucionária Rosa Luxemburgo sempre foi contra a política colonial e defendeu os povos de África contra a ganância do estado dos monopólios na Alemanha. Na primeira guerra mundial enquanto os reformistas foram totalmente a favor da guerra e se dedicaram a chamar os trabalhadores para matar os Trabalhadores de outros países, os evolucionários foram totalmente contra a Guerra. Lenin, Rosa Luxemburgo, Trotsky, Stalin e tantos outros chamados de violentos, de repressivos Foram contra a primeira guerra mundial: denunciaram a guerra como uma guerra inter-imperialista que visava a conquista colonial do mundo. Ao final da segunda guerra mundial os grande movimentos que passaram para a história em defesa da Paz e contra as guerras, foram protagonizados pelos comunistas: movimento contra a guerra da Coreia, contra a agressão do colonialismo francês na Argélia, movimento contra a guerra no Vietnã e uma série de campanhas mundiais pela paz tiveram uma participação fundamental nos comunistas. Aliás por falar em comunistas enquanto os partidos social-democratas da Europa, ou apoiaram diretamente ou fingiram que não viram a política do imperialismo estadunidense de promoção de golpes de estado na América Latina, Os Comunistas não so eram os principais perseguidos por essas ditaduras militares como tiveram um papel fundamental no processo de volta da Democracia burguesa. Na história real do século 20 - Essa era dos extremos, Como dizia o saudoso Historiador Eric Hobsbawn - os social-democratas não eram a favor da Paz. Eles defendiam evidentemente a democracia burguesa no seu país, mas eram totalmente entusiastas da política colonial e da política de guerra do imperialismo em toda a periferia do sistema capitalista. O historiador e filósofo italiano Domenico Losurdo criou até um conceito para tratar dessa realidade: ele chamou essa esquerda de esquerda Imperial: ou seja, era uma esquerda que na França, na Inglaterra, nos Estados Unidos, no Canadá e vários outros países defende uma política democrática e de paz, mas apoiam o seu estado burguês e os seus monopólios capitalistas na exploração no saque, na repressão de toda a periferia do sistema, e obtem beneficios desses super-lucros que os seus paises – enquanto paises centrais do capitalismo – conseguem obter. De forma que, na historia real do capitalism, onde existiu um movimento forte pela paz, esse movimento foi protagonizado ou no mínimo tinha uma intensa participação dos comunistas.
Nós não temos nenhum tipo de fetiche pela violência. Rosa Luxemburgo, Lenin e vários outros revolucionários criticaram abertamente os terroristas. Na Rússia por exemplo existe uma cultura política muito forte de terrorismo de esquerda: intelectuais que compreenderam que grandes atos Como matar um primeiro-ministro iria despertar as massas para luta. Lenin sempre combateu esse tipo de concepção, e defendeu que o terrorismo não tem nenhum tipo de capacidade mobilizadora, e muito mais importante do que mataram o primeiro-ministro é conseguir organizar e educar politicamente a classe operária para compreender que dentro do capitalism, dentro dessa forma de estado burguês ela não conseguiria alcançar os seus objetivos fundamentais. A defesa dos comunistas da violência revolucionária é uma defesa fundamentada numa compreensão crítica e real do que e a dinâmica do capitalism, mas que não está faltando nenhum tipo de fetiche da violência ou sede de sangue. Dois exemplos para terminar são suficientes para ilustrar isso: durante a segunda guerra mundial o exército japonês era famoso por sua brutalidade: era um exército que não fazia prisioneiros: todas as vezes que conseguiram conquistar uma região da China, eles matavam todo mundo e antes de matar as mulheres faziam rodadas de estupros coletivos. Já as forças de resistência Nacional da China, dirigidas pelo partido comunista não apenas não matavam os prisioneiros de guerra japoneses, como faziam um trabalho de educação política com eles: faziam agitação e propaganda contra a guerra imperialista: contra O Extermínio entre os membros da classe trabalhadora. Muito desses prisioneiros eram soltos, voltavam para o exército japonês e continuavam reproduzindo a propaganda anti-Guerra ao ponto que a partir de 1944 o exército japonês começou a fuzilar todos os soldados que foram presos pelo exército chinês e depois de liberados, pois segundo o auto commando military do japao, os comunistas são muito perigosos e qualquer pessoa que tenha contato com eles, está contaminada pela ideologia do pacifismo. Outro exemplo muito importante é a demonizada república democrática popular da Coreia: Coreia do Norte. E dito que esse país é um país militarista, violento, que promove a Guerra. Na realidade a milenar nação coreana Foi dividida em duas pelo imperialismo estadunidense em uma guerra que matou mais de 2 milhões de coreanos. Depois que foi assinado o armistício - como uma especie de pausa na Guerra - os Estados Unidos mantêm - dos anos 50 até hoje - mais de 30 mil soldados divididos entre o Japão e a Coreia do Sul apontados para Coreia do Norte - inclusive armas nucleares nessa região - e ameaça constantemente o país com uma nova guerra de destruição neocolonial. A Coreia do Norte conseguiu desenvolver um importante poder bélico, se amar, inclusive desenvolver armas nucleares, e é graças ao fato de a Coreia possuir armas nucleares e um poderoso exército que até hoje não aconteceu uma nova guerra na região. A capacidade de armamento da economia norte-coreana, fruto principalmente da sua economia planificada, garante a paz na região. Exemplos significativo disso é a Líbia quando era governada por Gaddafi. Gaddafi tinha um projeto da bomba atômica da Líbia. Por pressao do imperialismo Caddafu desistiu desse projeto. Pouco tempo depois estáva a OTAM invadindo a Líbia, destruindo o país que tinha o maior IDH (Indice de desenvolvimento humano) da África, deixando o país em um mar de sangue e caos como está até hoje.
O militarismo na Coreia do Norte é fundamental para a paz, até porque a questão da Paz e da Guerra não deve ser entendido de forma mecânica, mas de forma de dialetica. No mundo dominado pelo imperialism, se armar é uma garantia de paz dos povos que lutam por sua emancipação. O imperialismo só entende a linguagem da força. “E se quer garantir-se a paz, prepare-se para a Guerra.” Como muito bem disse Plínio de Arruda Sampaio (ex-membro do Partido Socialismo e liberdade, PSOL) na Saudosa campanha presidencial de 2010 (Brasil), ninguém deveria ter armas atômicas, mas se os Estados Unidos tem armas atômicas, se Israel tem armas atômicas, outros povos em sua defesa também tem direito de ter. Em síntese os revolucionários não são violentos sedentos de sangue, promotores da violência. Nós somos contra as guerras imperialistas, as invasões neocoloniais; somos linha de frente no Combate à violência cotidiana do Estado burguês contra a classe trabalhadora, mas não idealizamos as condições da dominação de classes no capitalism. Compreendemos que a violência é um dado estrutural do sistema capitalista que a classe dominante - Especialmente na periferia do capitalism - nunca vai entregar seu poder em forma pacífica e que a violência revolucionária dos trabalhadores e suas organizações é uma necessidade histórica intransponível na conquista do poder político pelos trabalhadores e da construção do novo mundo: o mundo socialista! Aliado a isso, compreendemos que as experiências de transição socialista necessitam criar um forte aparato de defesa para se proteger de todos e cada um dos ataques do imperialism. Ao contrário do pensa Gregorio Duvivier e vários teóricos e líderes politicos, defender um pacifismo abstrato não vai fazer com que a violencia real deixe de existir.
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Filme (ao ver o filme)

Sento-me nas trevas que imaginei, com uma vontade enorme de despir a pele. Acredito que a vontade dela supera o entendimento que possa ter sobre o meu comportamento. É um daqueles casos clássicos de percepção: aquilo que sinto faz-me imaginar que estou num grito mudo e prestes a implodir em ansiedade, e pensando estar a ser óbvio no meu desconforto… não estou.
Tinha-me esquecido de como é vir ao cinema. O último filme que tinha tentado ver não me deixou bem. A sombra é sobretudo projetada quando estamos no escuro. E ver a história do Bobby Fischer foi e está a ser bem mais real do que qualquer que seja a ideia aqui.
Li as críticas no instagram, facebook e outras redes sociais. “O filme é demasiado real, e é a realidade que nos atinge”; “Senti que me passou um camião de realidade por cima”; “Incomoda porque é verdadeiro, porque é transparente, porque é puro e duro na representação da sociedade em que vivemos”. Tanto e todo esse fascínio fez-me temer. E é precisamente esse mesmo fascínio que me incomoda por razões totalmente diferentes.
O filme em si, e por isso, é fascinante. O fascínio funciona como um abalar, um ligeiro desequilíbrio na nossa estrutura de conhecimento. Quando vêmos o que a nossa miopia torna invísivel, quando o que passamos a ver se torna omnipresente: o “transparente” torna-se opaco.
Enquanto a Inês (e eu lhe percebo isso) tende a ver realismo, eu tento (tento mesmo muito) ver o filme como uma alegoria não conseguida. O meu fascínio prende-se sobretudo com o absurdo superior.
Julguei mesmo que me expôr à noção de realidade de que a “realeza” fala seria demasiado doloroso para mim. Seria um Xeque-mate mais pesado do que aquele que infligiram ao Fischer. Seria um desconcertante movimento errado de peão, num jogo em que a derrota sai cara.
Contudo, após ver o filme, sinto consternação, uma raiva triste e muda. Como é possível a perspetiva ser tão obtusa face a algo tão perto de todos?! Sinto uma necessidade enorme de fazer ver ao mundo (àquele que conheço e me quer conhecer) que o fascínio que se possa sentir aqui advém de ignorância pura e pouca disponibilidade de empatia.
O filme tem uma história cheia de lacunas óbvias. Mas vendo para além dessas lacunas, vejo a falha de se ter proposto a algo, de ter tentado fazer a diferença, sem ter criado proximidade. Muito pelo contrário.
É fácil identificar a tentativa de usar a doença mental como veículo para interligar a narrativa. A forma como o faz é, no entanto, ironicamente rísivel para mim. A premissa, pelo que se pode ver, é que as condicionantes sociais e elementos traumáticos são parcelas de uma conta infantil. Somando as duas obtemos a dissociação social e a perda de empatia, por meio de uma doença mental (quão querida é nesta sociedade a ideia de que a genialidade e a loucura andam de mãos dadas, e de que os génios são sempre incompreendidos?!) .
A ameaça que o filme acaba por apontar categoricamente, por meio de um discurso descontextualizado numa personagem mal construida, é a falta de empatia e moderação na sociedade atual. E eu só me pergunto: que empatia e moderação é que usaram para perceber no filme empatia e moderação??
Parece que qualquer pessoa com uma doença mental consegue, na sua fase mais turbulenta, reconhecer e apontar fatores que a levam a ter uma doença mental. E isso simplesmente não acontece.
Óbvio, infelizmente assim o é, que apresentar as doenças mentais faz parecer no “são” que ao seu alcance está a oportunidade de mitigar (ou agudizar) a culpa que sente pela sua indiferença.
Beatificar-se (já que falo em “sãos”, falo em “santos” e “santinhos”) é simples, é não ser indiferente, é reconhecer, é criar uma postura de compreensão dissimulada enquanto se recalca o medo e a ameaça que sente pairar.
Eu só desejo, e desejo-o muito, que o “são” seja “insano” e descubra na sua incoerência virtude, ou seja: o ideal é a ajuda ser indiferente àquilo que leva à necessidade de auxílio.
Eu não quero ser ajudado para expiar os pecados de ninguém, não quero a puta da pena para nada. Já o telefonema despreocupado, já a conversa densa sobre um outro assunto qualquer, sim! Cai bem. Lindamente até.
Porque por muito que não me queira lembrar, também não me posso esquecer.
Porque por muito que “insano” que seja, também não o sou.

Texto também disponível em: https://omeuamigopedro.wordpress.com/2020/01/22/filme-a-ver-o-filme/
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GRRM deixou a peteca cair? [Parte 2]

Link: https://towerofthehand.com/blog/2014/01/12-did-grrm-drop-ball/index.html
Título original: Did George R. R. Martin drop the ball?

[Link para a Parte 1]
Stefan Sasse : Não tente me convencer da qualidade literária de nada comparando-a com O Senhor dos Anéis - acho os livros um tédio. Eles são, para mim, o principal exemplo de informação inútil e subtramas estúpidas destruindo as coisas interessantes. Mas aí eu estou fugindo do assunto.
Eu realmente não ligo para Essos também – a importância daquele lugar reside no fato de termos que saber de tudo aquilo antes que venha a se tornar importante. É importante para a missão de Dany e para delinear a conspiração Varys-Illyrio, eu penso.
Mas acho que se resume a uma questão de gosto. Você está definitivamente certo de que há partes do Festimdança que poderiam ser cortadas e ainda teríamos o mesmo enredo, mesmo que eu queira enfatizar que gosto delas e não gostaria de vê-las desaparecer. Para mim elas são importantes na construção do mundo. É gosto, eu acho.
Mas vamos avançar para o próximo ponto sobre o(s) livro(s). Argumentei desde o início que é importante visualizá-los como um único volume em vez de dois volumes separados, e é por isso que eu os chamo de Festimdança (quando não estou me referindo especificamente a um deles). Ambas as histórias são muito profundamente entrelaçadas, e somente quando lidas juntas – na ordem de leitura sugerida por Sean T. Collin, por exemplo – é que você poderá desbloquear o verdadeiro potencial delas, que reside principalmente nos temas governo, guerra e paz. Chamei a multidão de tramas entrelaçadas de "A Guerra no Norte", "A Paz no Norte", "A Guerra no Leste" e "A Paz no Leste" porque Jon e Dany tentam governar sob circunstâncias muito difíceis e diversas, e ambos fracassam. Até certo ponto, esse desenvolvimento é refletido pelas tentativas de Cersei de governar em Porto Real, que são um assunto incidental neste tópico.
Somente quando vistos em conjunto Festimdança se torna um livro muito bom (comparado à experiência bastante medíocre de que você e muitos outros se queixam). Fiquei decepcionado no começo. É por isso que definitivamente concordo com sua avaliação anterior de que foi definitivamente a errada a decisão de George de dividir o livro da maneira que ele fez.
Remy Verhoeve : Suponho que me valer de O Senhor dos Anéis foi uma péssima jogada. Nada como duzentas páginas expositivas sobre os hobbits antes de a história sequer começar... (ainda assim, uma vez que começa a rolar... não, foi um exemplo ruim). Suponho que há uma importância para Essos, já que Martin gasta tanto tempo construindo-o para nós. Mas quando não atrai o leitor (e aqui parecemos concordar que Essos não é muito interessante) por que devo me importar mais tarde durante a história sobre o que acontece ou não acontece em Essos?
Não li os livros na ordem sugerida, mas não me importaria de tentar. Só tenho medo – e falo sério – de reler aqueles capítulos horríveis de Tyrion e Daenerys (os capítulos de Jon são ligeiramente mais interessantes, em geral). Embora eu possa reler qualquer capítulo dos três primeiros livros com alegria, não suporto ler sobre Daenerys sentada ali conversando com todos aqueles personagens que não consigo distinguir.
Os livros também se tornaram mais repetitivos, e estou quase arrancando os olhos sempre que leio outro "Onde quer que as putas vão". Você está certo de que a história provavelmente precisava diminuir de intensidade para reconstruir o momento. Concordo com isso. Mas mesmo nos capítulos e momentos mais silenciosos dos três primeiros livros, Martin mantém o leitor envolvido e interessado.
Sim, existem temas abrangentes, e as semelhanças entre as histórias de Jon e Dany são agradáveis ​​e os vinculam aos pólos "gelo" e "fogo" da balança. Mas há muita encheção de linguiça. Muita encheção, mesmo para um entusiasta como eu. Veja os capítulos de Bran em Dança. Eles se movem rapidamente. E em três capítulos o arco de Bran para o livro está pronto e parece satisfatório. Parece uma continuação natural de sua história dos três primeiros livros. Daí olhe para o arco da história de Tyrion. Tudo o que ele faz é viajar e dar espaço para exposições.
Stefan Sasse : Eu não seria tão rápido em vincular isso à qualidade, por si só. Está diferente, tudo bem –ac não vou negar isso. Afinal, não adiantaria, pois está óbvio. É como reclamar que o quarto ato do drama clássico não oferece tanto quanto o terceiro. A história precisa se resumir para poder recuperar o ritmo novamente no quinto ato. No caso de "A Song of Ice and Fire", estamos falando de uma estrutura de três atos, é claro, mas isso não altera a questão.
Eu diria que Festimdança nos permite aprofundar questões que os três primeiros livros apenas tangenciaram, uma vez que estávamos muito envolvidos nas perspectivas dos agentes principais. O conflito foi intenso e relativamente curto, e precisava ser contado de diferentes perspectivas.
Porém, Festimdança permite que nos aprofundemos em outras questões. Um dos pontos mais importantes é o enredo de Brienne, que é o primeiro olhar verdadeiro para o mundo do “Time dos Plebeus” (fora aqueles capítulos de aventura de Arya). É impossível imaginar o monólogo de Septão Meribald sobre os Homens Quebrados (que também é exposição, lembre-se) nos três primeiros e mais compactos romances. Mas é fundamental entender o que esses livros verdadeiramente falam sobre. E o processo de paz que compõe grande parte da política da Festimdança (exceto, notadamente, na campanha de guerra de Stannis no Norte) é uma tarefa árdua, sim. E assim foi deliberadamente concebida para ser, acredito.
Adam Feldman, do Meereenese Blot, argumentou de forma convincente que o que Martin está propondo é um processo de paz altamente complexo, tedioso e opaco, precisamente porque manter a paz é complexo, tedioso e opaco. Existem muitas camadas em toda a história e em toda a tediosidade. Camadas que pedem para serem analisadas e afastadas. Feldman, por exemplo, defendeu que Daario Naharis e Hizdahr zo Loraq personificam as opções da guerra e paz para Dany. Os beijos de um são quentes e emocionantes, os do outro são tépidos. Mas, como insiste a Graça Verde, a paz é uma pérola sem preço. Infelizmente, não há como entrar nestes pontos sem literalmente demolir tudo. A menos que você espelhe isso na narrativa, que é o que Martin faz.
Obviamente, ele arriscou a ira do fandom por causa dessa mudança, especialmente porque a dedicada fanbase levou mais de dois anos para entender o cerne da questão. Entretanto, aqui o desapego de GRRM pela fanbase é útil. Ele não precisa titubear diante dos fãs, já ele não parece se importar. E assim ele pode basicamente escrever a história em seu próprio tempo, com o melhor resultado que ele acha que pode alcançar. Na maioria do tempo, isso se mostrou recompensador (embora, como observado, a divisão dos livros não pareça uma decisão sábia, olhando em retrospectiva).
Já espero que você discorde veementemente com relação o tratamento de Martin com sua fanbase, é claro, mas, por favor, também leve em consideração o que eu disse sobre a narrativa.
Remy Verhoeve : Está diferente. E eu diria que um fator é que, de fato, a qualidade não é tão boa quanto costumava ser. Não estou dizendo que menos qualidade é a única razão pela qual Dança não se tornou um dos favoritos. Se você olhar, digamos, A Fúria dos Reis e A Dança dos Dragões lado a lado, existem vários elementos que tornam o primeiro bom e o segundo não tão bom.
No lado técnico, eu argumentaria que há muito mais erros de digitação e erros editoriais em Dança. Às vezes, o livro parece uma compilação feita às pressas, o que tenho certeza de que foi. Desenhar sobre uma tela maior também reduz a qualidade da pintura. Onde os três primeiros livros parecem compactos, Festimdança incha conforme o número de capítulos de POVs aumenta. A tal ponto que temos tantos personagens novos que Martin começa a lutar para torná-los especiais.
Veja personagens antigos como Sansa, Arya ou Tyrion, por exemplo. Você pode definir rapidamente essas personas por um número de características distintas. Eles são completamente bem caracterizados. Nos primeiros capítulos, você pode começar a formar uma imagem dessas pessoas em sua mente. No caso dos novos POVs, eles começam a se misturar, não são mais tão únicos e – para mim, pelo menos – tornam-se menos interessantes porque estão "apenas lá".
Em alguns desses novos POVs eu enxergo certas qualidades redentoras porque elas estão em uma história interessante ou foram melhor desenhadas (Asha Greyjoy me vem à mente), mas outros são muito genéricos em comparação com os POVs 'originais'. Até Melisandre, que permaneceu um dos grandes e interessantes mistérios da série, é reduzida a um ponto de vista não muito interessante (foi um grande erro em dar a ela – e a Sor Barristan – pontos de vista, eu acho; estes são personagens épicos que só devemos ver de fora; outra falha em minha opinião).
Eu também argumentaria que foi péssimo jogar, de repente, Jovem Griff na história em um momento tão tardio – embora eu esteja ciente de que ele poderia ser um arenque vermelho [red herring]. No entanto, antes dessa 'reviravolta', eventos importantes na narrativa foram profusamente ofuscados. Jovem Griff parece surgir do nada, o que contribuiu para uma experiência, na verdade, chocante. O POV de Barristan também é muito genérico. Martin precisa equilibrar todo o conhecimento que um personagem como Selmy tem para não revelar muito. E o resultado é, bem, não muito especial.
Não estou reclamando de nada ser diferente, aí é você colocando palavras na minha boca. Estou argumentando que a qualidade da redação é reduzida. Não me importo das coisas serem 'diferentes' porque, se tudo é igual, também não é muito interessante. A história fornece personagens, enredos e localidades muito diferentes. E geralmente estou interessado na maior parte deles, seja um capítulo "quieto" ou cheio de ação e aventura.
A escrita está tão diferente que eu e outras pessoas de fato já cogitamos se algumas partes não foram escritas por ghost-writers. No momento em que não parece mais com As Crônicas de Gelo e Fogo, podemos perguntar se é porque está diferente ou se é porque não está tão bom como costumava ser (tecnicamente).
Na verdade, eu não me importo com as histórias reais apresentadas em Festimdança. Gosto dos conceitos apresentados, incluindo as viagens de Brienne, os problemas políticos de Dany, o desvio de Jaime para Correrrio etc. (o único enredo em que sinto que Martin saiu terrivelmente do curso foi o de Tyrion). É uma questão de como essas histórias são executadas que deixa algo a desejar. Os personagens parecem ter perdido suas características. O diálogo perdeu a nitidez. Tantas cenas pareciam escritas para chocar, em vez de aprofundar a história. Tantos erros gramaticais que escaparam ao processo de edição. A repentina mudança nos títulos de capítulos, em vez de manter a estrutura no lugar, para que a série possa parecer mais com um todo.
Quanto a ver o mundo da perspectiva do “Time Plebeu”, com certeza é bom, mas será que realmente precisamos de um arco inteiro para isso? Pessoalmente, senti que o Time Plebeu já estava bem representado nos capítulos de Arya – através de suas jornadas, vemos realmente como a guerra afetou a população.
Prefiro dizer que os capítulos de Brienne permitiram que Martin colocasse um elemento que ele realmente não havia destacado antes - o religioso. De repente, com Festim, sacerdotes, monges e crenças são jogados na mistura de uma maneira um tanto abrupta. Ela exemplifica como Martin, tardiamente, decidiu que não havia dedicado tempo suficiente à religião. Afinal, a religião era tão importante nos tempos medievais e ele também assim queria, e ficamos com um aumento repentino na exposição sobre religião em Westeros. Alguém poderia arguir que esse é outro ponto contra os livros mais recentes - parece que Martin quer cobrir todas os pontos. Em vez disso, ele poderia ter mantido o foco mais restrito. Ninguém disse que ele precisava incluir tudo o que tem a ver com a história medieval.
Eu tenho o mesmo sentimento na Dança quando, de repente, o rito da prima noctis é mencionado pela primeira vez em mais de 3000 páginas. Como se Martin tivesse assistido Coração Valente e percebesse que ele precisava adicionar esse ritual curioso (e talvez nem verdadeiro) a sua própria obra. Quando uma obra já se estabeleceu tanto ao longo dos três primeiros livros, ela parece 'amarrada' e não soa verdadeiro quando coisas novas aparecem nos livros quatro e cinco. Especialmente quando essas coisas novas parecem que deveriam ter sido introduzidas mais cedo, se elas eram assim tão importantes.
De qualquer forma, você pode argumentar que a história de Brienne é uma maneira de vermos a luta dos plebeus com as consequências da Guerra dos Cinco Reis, enquanto eu posso arguir que a história é usada mais para apresentar e integrar facções religiosas à história. E talvez estamos ambos certos ou ambos errados (ou um de nós está certo...). Mas tudo ainda se resume à apresentação técnica.
É interessante ler sobre Brienne viajando pelas terras fluviais em busca de Sansa, quando sabemos onde Sansa está (e ela definitivamente não está por perto)? Veja bem, eu não diria que isso é uma narrativa de alta qualidade. Se houvesse alguma esperança de que Brienne pudesse encontrar Sansa, talvez isso aumentasse o interesse pela história. Ou se Brienne tivesse alguém atrás de si que representasse um perigo real, poderíamos nos preocupar com ela e, assim, estar mais envolvidos com a história. Páginas do monólogo que parecem ter sido copiadas e coladas diretamente de alguma fonte medieval (há pelo menos algumas linhas que são literalmente tiradas de algum lugar, lembro-me de protestar quando a li) não nos envolvem da mesma maneira, eu acredito.
Não há tensão, é tudo um "vamos dar uma olhada no campo". Muitas das informações recolhidas nos capítulos de Brienne parecem mais pertencer a "O Mundo de Gelo e Fogo". Mais uma vez, gosto da jornada de Brienne, mas, como narrativa, ela trabalha contra si mesma; apenas um fanático por Westeros diria que isso é uma boa narrativa. Porque você estaria tão vidrado no cenário que qualquer representação dele se torna interessante. Nossa, eu estou divagando.
No final, o enredo de Brienne poderia ter sido condensado, com alguns capítulos a menos, ou então a enorme quantidade de exposições deveriam ter sido trabalhadas na narrativa de uma maneira mais sutil. Aliás, o único objetivo dessa história (fora a exposição) é que ela dá de cara com uma certa mulher no final, o que leva ao seu confronto trilateral com Sor Jaime e Senhora Coração de Pedra, possivelmente interessante.
Quanto à paz, ou processos de paz, só posso dizer isso: a paz é a ausência de conflito, e o conflito é o que impulsiona uma narrativa. Se o "trabalho árduo", como você diz, é intencional ou não, não importa. Se você admitir que seja árduo de ler, você está, em minha opinião, admitindo que o Festimdança (ou partes dele, pelo menos) simplesmente não são tão boas. Contudo, admito que, para alguns leitores, também pode haver partes 'arrastadas' nos três primeiros livros – eu sei que existem leitores que acham os capítulos de Bran menos interessantes, por exemplo – mas esses capítulos movem a história – o que eu não tenho certeza se todos os capítulos de Festim dança realmente fazem.
Eu não me importaria se Quentyn Martell não aparecesse em Dança até o momento em que ele se apresenta na corte de Daenerys. O que teríamos perdido? Os elefantes em miniatura no Volantis? Nós realmente precisamos de tantos capítulos de Tyrion no rio ou no mar? A história poderia funcionar sem Penny?
Para que você não me entenda muito literalmente, é claro que vejo conflito em Festimdança, no nível pessoal. Há um conflito dentro de Daenerys Targaryen (vários, na verdade); há um conflito dentro de Jon Snow (talvez o mais óbvio – sua história sempre foi sobre lealdade, lealdade, honra, dever). Mas a ação exterior diminuiu, isso é verdade. Quase nada com consequência acontece até o livro terminar. “Diferente”? Sim. Mas “melhor”? Os livros antigos misturavam ação interior e exterior com grande sucesso. Por que repentinamente só estamos olhando para o próprio umbigo (por tanto tempo)?
Eu acho que seria simples demais dizer que Martin está intencionalmente tornando sua história menos interessante. Isso é uma desculpa insatisfatória. Martin sabe escrever cenas arrasadoras, sejam lentas ou não. Ou você está dando muito crédito a ele ou eu estou dando muito pouco. Pois bem, suponha que Martin queira nos mostrar que a paz é chata. Então ele teria que usar outros truques para nos manter interessados pela história. Ele nos daria personagens secundários fáceis de distinguir. Em vez disso, temos uma série de personagens com nomes semelhantes. Ele deveria elaborar o desenvolvimento do personagem de modo que acompanharíamos uma trajetória interessante. Em vez disso, Daenerys é a mesma pessoa do primeiro ao penúltimo capítulo (apesar de que, com certeza, ela não é a personagem que vimos em A Tormenta de Espadas).
Vamos deixar a interação de Martin com seus leitores para outro dia, porque só de pensar nisso sai vapor dos meus ouvidos. Eu espero que eu tenha esclarecido meus argumentos e, se algo não estiver claro, diga-me e poderemos analisar melhor esta parte do debate.
Stefan Sasse : Eu ainda acho que muitas das críticas que você faz ao(s) livro(s) vêm de uma perspectiva distinta do que está por vir. Sim, eu e muitos outros intencionalmente acreditamos que isso faz parte do todo, o que permite não se aborrecer com histórias como a de Brienne, onde nada de grande monta acontece (exceto para os personagens envolvidos, é claro). Mas, como você diz a si mesmo, para muitas pessoas, ocorria (e ocorre) o mesmo com os livros antigos.
Acho difícil na maioria das vezes lembrar minhas primeiras impressões sobre o livro, porque elas acabaram misturadas irreconhecivelmente com minha compreensão posterior e com o conhecimento decorrente de releituras. Mas tenho certeza de duas coisas: fiquei aborrecido com os capítulos de Brienne na primeira e na segunda vez que li O Festim dos Corvos em 2005 e 2006. E também não gostei muito dos capítulos de Bran nos três primeiros livros, precisamente pelo fato de que nada parecia estar acontecendo. Veja, de verdade: você precisa ser um leitor excepcionalmente perspicaz para apreciar a história do Cavaleiro da Árvore que Ri em sua primeira leitura. Se você não entende do que se trata, simplesmente acharia uma leitura muito chata a longa lista de personagens mortos há muito tempo identificados apenas por seus brasões.
O mesmo vale para as provações de Brienne. Já sabíamos que ela não encontrará Sansa (exceto naquele momento em que pensa em ir ao Vale, mas isso é descartado rapidamente). Em vez disso, nos envolvemos em uma variedade de subtramas e na resolução de subtramas (o destino de Podrick Payne, Sor Shadrich e colegas, Gendry, a Irmandade e Senhora Coração de Pedra) e também passamos por uma subnarrativa realmente atraente (especialmente na parte de Lagoa da Donzela). Mas levei um tempo para me aquecer.
Da mesma forma, ao ler A Dança dos Dragões pela primeira vez, sinceramente desejei que os capítulos de Tyrion fossem mais rápidos. Eu não conseguia lembrar nem mesmo uma das malditas cidades em ruínas que eles passam no Rhoyne. Também não fiquei particularmente intrigado com Aegon, até porque nunca gostei da “teoria da conspiração” segundo a qual Varys traficou o garoto (a qual já estava circulando há um longo tempo, assim como a de que Tyrion seria um bastardo Targaryen). Mas em releituras posteriores, quando você já sabe o que vai acontecer (como Brienne não encontrar Sansa), você pode se envolver pelas coisas que realmente estão lá.
A propósito, é isso que eu queria dizer com o problema das expectativas. Esperávamos que várias coisas acontecessem em Festimdança, e muito disso não aconteceu (nenhum Outro na Muralha, nenhum encontro entre Tyrion e Dany e assim por diante). Entretanto, apesar de que Martin certamente poderia ter cortado muito do que está lá e "ido ao ponto" mais rapidamente, eu acho que isso tornaria estes livros uma leitura menos convincente (mesmo que ele adotasse sua abordagem, mantivesse as histórias intactas e apenas cortando fora a carne – ou gordura, conforme o ponto de vista).
Da mesma forma, simplesmente ainda não sabemos qual é o objetivo com os nomes de capítulos alterados. Martin enfatizou repetidamente que existe um sistema por trás, que ainda não podemos compreender apenas com base nos dois livros, mas que no final entenderemos. Então estou reservando o julgamento final sobre isso para mais tarde, quando os livros finais forem lançados.
A propósito, fiquei desapontado com o aparecimento do Ius Primae Noctis, porque é apenas um mito medieval criado por Coração Valente. Mas achei lógico que aparecesse só agora. É claro que os Boltons (que só agora vimos de perto) ainda o praticariam. E é claro que eles não contariam aos Starks (que têm sido nossa única janela no Norte até agora).
Na verdade, eu achei essa uma das coisas mais interessantes e envolventes sobre a história do norte em A Dança dos Dragões: o Norte "sombrio". Bran aprendendo que os Stark costumavam sacrificar as pessoas sob as árvores-coração; pendurarem entranhas nas árvores; os Bolton e suas práticas cruéis; os clãs das montanhas e Karstarks e o descarte dos velhos e doentes no inverno para preservar a comida para os saudáveis; e assim por diante. O que víamos até agora era o belo Norte, através das lentes rosas dos benignos senhores Stark. Por baixo, há um norte muito mais sombrio, que foi despertado pelo conflito Bolton-Stannis. E isso torna as coisas muito boas de ler.
Também poderíamos argumentar facilmente que as culturas orientais nos três primeiros livros eram praticamente figurante feitos de papelão (escravistas do mal com penteados ridículos) e só foram aprofundados em Festimdança. Claro que você pode dizer que simplesmente não se importa com eles, já que a história deveria estar em Westeros. Mas eu gosto do toque de realismo e credibilidade que isso traz à história. Torna o lugar mais real, ao invés de somente um ponto da trama a ser riscado da agenda.
Isso me leva à minha última questão com seus argumentos: a questão da luta. Sim, a paz por definição é a ausência de guerra, mas esta última tem sido por muito tempo a doença da fantasia, que se baseou em conflitos armados para contar histórias envolventes. O experimento que Martin fornece com Festimdança é realmente ousado: ele usa dois livros realmente volumosos para verdadeiramente nos mostrar o que vem depois. Martin certa vez fez uma observação (estou parafraseando) que, em O Senhor dos Anéis, nunca aprendemos como Aragorn governaria e qual seria, por exemplo, sua posição sobre rotação de culturas em três campos ou sobre tributação. Isso ocorre porque a fantasia tradicional se mantém convenientemente afastada das questões cabeludas.
Mas ele não se afastou. Quando Dany anunciou no final de A Tormenta de Espadas que ela iria ficar e governar, acho que ninguém acreditou de verdade. Até agora, sua jornada era marcada por contínuo sucesso, crescimento e progresso (sim, mesmo com a morte de Drogo). Mas em A Dança dos Dragões, testemunhamos de perto o quão difícil é vencer. Esse desenvolvimento foi refletido na história de Jon na Muralha, onde ele teve que lidar com os selvagens (que provaram ser a parte mais fácil) e com seus próprios homens (com quem ele constantemente falhou). E em Porto Real, Cersei consegue jogar fora, em questão de semanas, os sucessos que os Lannisters conquistaram em uma guerra realmente sangrenta.
Ganhar a paz é o objeto mais difícil de todos. É duro, difícil e confuso. Lutar uma guerra, por outro lado, é a parte mais fácil. É como o lado negro em Star Wars: fácil de sucumbir, já que é tão direto e emocionante (se você não é um membro do Time Plebeu, claro). Mas é o lado negro. A paz é muito mais difícil, o caminho não está posto para você, e você deve enfrentar seus demônios internos de uma maneira muito mais pronunciada, pois você não pode apenas canalizá-los para o inimigo da vez. Jaime Lannister aprende isso também – assim que ele não pôde acertar alguém com uma espada, ele passou a estar realmente perdido.
E veja como estão todos perdidos, e como gostariam de voltar à guerra: Cersei faz de tudo para criar um fronte em Porto Real: ou você está com ela ou com os Tyrells. Não há acordo, nada no meio. Essa é a atitude da guerra, não da paz. E conflito é tudo o que ela recebe de volta. Dany tem que escolher continuamente entre o caminho mais fácil, fornecido por Cabeça-Raspada e Daario, e a paz complicada e insatisfatória, fornecida pelo Senescal, Graça Verde e Hizdahr. E Jon aproveita todas as oportunidades para deixar Castelo Negro e liderar patrulhas, e por fim, desnecessariamente, dá suporte à campanha de Stannis pelo Trono de Ferro, provocando guerra com Forte do Pavor (e sua traição).
Tudo isso é uma narrativa muito forte, ainda mais forte do que nos três primeiros livros, onde os elementos dela já eram aparentes. Robb Stark conseguiu derrotar facilmente todos os oponentes na batalha, mas ele era totalmente incapaz de ganhar a paz, ou qualquer tipo de paz. Esse é o lado negro. Toda a corrente subjacente à saga já está configurada aqui, e Festimdança capitaliza isso. Mas apenas se você estiver disposto a ler o que está lá e não a fantasia “Lado Negro” que você esperava. Aqui não há George Lucas, que deixou Luke agir dos dois lados, atacando Darth Vader e ainda saindo limpo porque seu pai mudou de idéia. Isso não acontece aqui.
E acho que o trabalho de base da Festimdança se tornará realmente importante nos livros a seguir, quando Jon, Dany e Cersei, todos tendo aprendido as lições erradas do fracasso em manter a paz, tomarão realmente algumas decisões ruins e desdenharão da carnificina durante o ataque arrebatador dos Outros. E estou bastante convencido de que muitos olharão com mais carinho para Festimdança então.
Remy Verhoeve : Você faz alguns argumentos convincentes em referência à paz e essa é provavelmente uma maneira melhor de enxergar tudo caso deseje manter a fé de que não há nada errado com Dança. Eu gostei de ver o 'norte sombrio', embora isso também dê a Martin uma chance de se aprofundar ainda mais na depravação, o que não estou certo de que seja algo que faltava na série.
Agora, eu ainda mantenho que a maioria das coisas que tornam Dança não tão bom tem a ver com tecnicidades, como mencionado, e que o enredo em si não é ruim. Sim, você tem algumas observações interessantes e eu particularmente gosto de como todos pensam que o caminho mais fácil teria sido guerra, mas quando estou lendo um dos dois romances, não estou sob juramento. Eu não precisava que ninguém me dissesse exatamente o que procurar ou sentir ao ler A Guerra dos Tronos. Ele apenas me deu um chute na cara e disse "Preste atenção".
Com Dança, as pessoas são forçadas a entrar na Internet para encontrar explicações detalhadas sobre por que Martin talvez tenha decidido escrever isso ou aquilo, mais ou menos. Mas até chegarmos ao Os Ventos do Inverno, não podemos saber exatamente o que é construção de bases e o que é escrita desleixada. Se ele pretende resolver tudo o que apresenta, então teremos mais dez livros. O que novamente significa que você deve julgar Festim e Dança por seus próprios méritos. E eles estão em falta - para muitos. Gostaria de observar que gosto mais desses livros do que a maioria dos romances de fantasia, mas eles não são tão surpreendentes quanto os três livros originais.
Existem também algumas objeções pessoais aos romances, é claro, contra as quais você não pode fazer nada. Não acho a história de Cersei convincente, sendo a profecia de 'Maggy, a Rã' um enredo particularmente ruim. Esta não era o Cersei que eu pensava conhecer dos três primeiros livros, e não sou capaz de reajustar minha percepção da personagem. Isso é culpa minha, claro. Mas isso serve como outro exemplo de escrita ruim. Não apenas porque parece tão forçado no quarto livro (embora eu entenda que você possa defendê-lo tecnicamente porque não tivemos o ponto de vista de Cersei antes), mas também porque Martin, com Festimdança, começa a fazer todas essas conexões entre os personagens, ao ponto de tornar tudo um pouco bobo - especialmente em comparação com os três primeiros livros, onde ocorria praticamente o contrário.
Agora você tem personagens se encontrando regularmente (de preferência na mesma Estalagem na Encruzilhada), nomes de personagens vinculados de várias maneiras etc. Sim, ele precisa começar a amarrar os pontos, mas essa é uma maneira ruim de fazê-lo, em minha opinião. O mundo de Westeros, que era vasto, fica menor a cada capítulo. De qualquer forma, agora estou saindo pela tangente de novo.
Tendo dito tudo isso, sou totalmente em seu favor - a dificuldade de conquistar a paz é definitivamente um tema importante e grande. No entanto, não torna mais emocionante a leitura de Tyrion a bordo de uma embarcação por dez capítulos consecutivos. Não me enche de encanto ler uma página de cima a baixo com os pensamentos de Daenerys sobre Daario. E o ponto de vista sombrio de Jon Snow também não fica mais emocionante com nada acontecendo.
Stefan Sasse : Receio que isso nos deixe em um impasse, onde tudo se resume a uma questão de gosto. Pelo menos acho que podemos ter certeza de que você dará a Os Ventos do Inverno uma chance de trazê-lo de volta ao redil.
Remy Verhoeve : Suponho que não podemos conciliar nossas opiniões, mas é bom discutir isso com você de maneira civilizada e concordar em discordar. Estou pronto e disposto a aceitar Os Ventos do Inverno. Também decidi tentar abordar os dois livros usando a reorganização dos capítulos que você sugeriu. Concordo que o gosto é o fator divisor essencial aqui, mas você parece concordar comigo que, por exemplo, os capítulos de Tyrion Lannister em Dança não são tão bons. Isso me faz pensar por que você está defendendo o desenvolvimento de As Crônicas de Gelo e Fogo se também vê certas falhas. De qualquer forma, obrigado pela conversa :)
Stefan Sasse : Foi um prazer. E para usar o privilégio da última palavra, acho que os capítulos de Tyrion precisavam de mais tempo para que se estivesse aquecido para eles. Gosto do desenvolvimento e estou ansioso para ver mais. Apenas levei um pouco de tempo para ver a luz. ;)
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